Formado por Ezra Koenig (voz e guitarra), Rostam Batmanglij (teclados), Chris Tomson (bateria) e Chris Baio (baixo), o Vampire Weekend é um grupo novaiorquino de pop/rock com influências de música africana. Revelado com alguns singles e um ep ao longo de 2007, o grupo lançou seu primeiro álbum, epônimo, em janeiro de 2008. (RG)
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Não é tantas vezes que um disco consegue ter uma audição tão direta e ainda assim as faixas encantarem por seu mistério. Mistério, sim, porque por trás do liquidificador de rock indie à Strokes com guitarrinha & percussão de pop africano existe um charme irredutível à fórmula, uma simplicidade que contagia (ou, mais corretamente, vicia) pela percepção de que em algum lugar essa música já existia, pairando à volta do universo pop, só ainda não tinha tido a casualidade de assumir a forma material, sonora. O rock anda desgastado? Então, para onde ir, diagonal para baixo e direita? A África fornece mais do que uma ou duas sonoridades de empréstimo, ela oferece acima de tudo uma disposição para a frontalidade, para a jovialidade e para o fulgor da resolução sem firulas.
É claro que a banda bebe bastante dos Strokes, seja pelo back to basics, seja por algumas soluções de escrita da música. Isso é facilmente perceptível em “Campus”, em “Oxford Comma”, sobretudo na maneira como a bateria acompanha os refrões ou tempos fortes. Mas dentro dessa herança eles conseguiram encontrar um som realmente próprio e, mais do que isso, eles conseguiram fazer com que esse som fosse mais do que uma fórmula. Aliás, desde a primeira audição se percebe que cada canção obedece a fórmulas diferentes. Arranjos, timbres, ritmos: faixa a faixa, a equação varia e ainda assim o conjunto se mantém coeso.
Na verdade, as coisas que o Vampire Weekend me lembra são Supergrass e o primeiro disco do Talking Heads. Desses últimos, percebo o mesmo anseio por um som limpo de guitarra que carregasse um swing meio bizarro, e, claro, toda a evocação de escola de arte e universidade. Do Supergrass, a menção à deliciosa e obrigatória “Walcott” já diz mais que a metade: melodias ganchudas, andamento rápido e celebração do feelgood juvenil. Mais que celebração: tradução disso em música.
Mas essa energia nada seria se não estivesse associada à idéia de concisão. O que mais encanta nesse primeiro disco é que tudo tem sua função precisa e direta, dos violinos à percussão afro, tudo parece ter sido esculpido com a finalidade de deixar tudo acessório de fora. Excesso de bagagem diminui a desenvoltura. Essa lição eles aprenderam com rigor, e fizeram um álbum que dá esse gostinho de moda antiga, de gente como os Specials ou o Jam, que se aprumavam todos para despejar toda sua energia em pérolas pop de 3 minutos cada. Em Vampire Weekend temos 11 delas. Cada uma com gosto especial. (Ruy Gardnier)
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Os fissurados em música que, em busca de informação, experimentaram a vida dura dos anos 80, sabem que o advento do mp3 promoveu a emergência de compositores, músicos e instrumentistas antes negligenciados pela dinâmica de um mercado limitado e bilateral. O mp3 reforçou a “cultura do culto” e facilitou algumas trocas inusitadas entre artistas e público, mas também entre artistas e artistas. Toda gama de informação antes considerada periférica, emerge e se estabelece como “matriz”, ainda que provisória… nesse sentido, um dos discos mais interessantes do último mês é o homônimo do Vampire Weekend, curioso afro-pop novaiorquino. Observo entretanto que as inserções das células elaboradas a partir do rock africano, parecem absolutamente descompromissadas com a fidedignidade e o “culto”, mas, de outro modo, aproximam-se de um processo de instrumentalização de elementos isolados da música africana. Nada contra, pelo contrário. Mas que se registre: o burburinho em torno do vampire weekend relaciona-se mais à inclusão tímida dos elementos africanos, do que com o que o grupo propriamente tem a dar: melodias, harmonia e ritmos absolutamente afinados com o que se convencionou chamar indie rock… Por este motivo, destaco aqui as faixas “Mansard Roof”, “Cape Cod Kwassa Kwassa” e “Bryn”, capazes de ferir os paradigmas que caracterizam a vulgata do gênero – 4/4, guitarras e roupas largadas, cara de entediado… Me parece de um pessimismo atroz afirmar que esse disco possa chegar entre os melhores do ano, mas, com a fissura em dia, vale encará-lo com otimismo. (Bernardo Oliveira)
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O Vampire Weekend é mais uma banda que dá continuidade aos novos parâmetros do indie pop, estabelecidos por nomes como Arcade Fire, The Shins e Of Montreal. Existe todo um truque de produção por parte de Rostam Batmanglij (que parece ser o líder do grupo) para mascarar a falta de criatividade das composições. Incapaz de trazer uma linguagem nova para o pop ou para sua própria banda, Rostam investe em canções de arranjos mais complexos, com orquestrações e diferentes usos de órgão, mellotron e sintetizador (instrumentos operados por ele mesmo). A sonoridade do Vampire Weekend segue todos os modismos do indie pop atual: a referência ao pós-punk e new wave (nas guitarras de timbres mais agudos, ou na afetação vocálica byrne-iana, o que irremediavelmente os aproxima do Clap Your Hands Say Yeah); nos vocais melodramáticos (algo cultivado por Win Butler do Arcade Fire); e a transformação do kitsch em atrativo. Mas enquanto bandas anteriores e influentes ao Vampire Weekend, como o Of Montreal, são kitsch pelo simples fato de ser kitsch, o Vampire Weekend mostra-se menos kitsch que cool – a vontade de soar moderno é maior que qualquer outra coisa. Há músicas a serem salvas, como a agradável faixa de abertura, “Mansard Roof”, e a pós-punk moderna “Walcott”. “A-Punk”, com sua levada ska, e “Cape Cod Kwassa Kwassa”, com guitarras caribenhas, parecem canções perdidas dos Paralamas do Sucesso da década de 80. Tem sido dito que a banda é uma mistura de Afro Pop com a fase Graceland de Paul Simon. Infelizmente, eles estão mais para um pop barroco de canções insípidas, que para o pop tingido de world music de Graceland. Quem dera se eles tivessem o mínimo de talento de Paul Simon. Daí, talvez, pudesse ser exalado qualquer vestígio de originalidade, ao contrário de parecerem tão derivativos de tudo que já conhecemos. Vampire Weekend é apenas (mais) uma (triste) amostra da esterilidade do pop contemporâneo. (Thiago Filardi)
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Parece que a banda foi muito comentada em muitos blogs antes de lançar um disco, parece que antes mesmo de lançar o primeiro ep. Ah, agora parece que os blogs os detestam. A síndrome do “ouvi primeiro”, Strokes, Clap Your Hands Say Yeah!. Chato. Nem vale a pena perder tempo.
Não consegui ouvir nada de especial/novo/arrebatador no disco, vocais e arranjos vocais medianos, melodias que lembram A Música dos Outros. Mas aí o problema vem na forma como tudo é arranjado – estrutura indie convencional, arranjos estranhos e inesperados misturados a grooves de afro-pop, obsessões geográficas, name-dropping, letras com referências à vida universitária – e com tudo isto, contrariando as regras, eles parecem “sinceros”. Não consigo comprar o cinismo que muitos conseguiram ver ali, ou melhor, os cínicos não podem ser sinceros? É possível conciliar isto com um quebra-cabeça de referências e citações? E depois de montado, o que temos ali?
Além de tudo, como não rir de: “Who gives a fuck about an oxford comma?/I’ve seen those english dramas too/They’re cruel”. Ou de uma faixa que cita Louis Vuitton, a marca Benneton (tão old fashion), Peter Gabriel (tão esquecido), Cape Cod e o ritmo Kwassa Kwassa? O que posso dizer é que gostei do disco, muito. Não sei quanto tempo ele vai durar, mas por enquanto, ele continua a tocar, divertir e intrigar. É a sutil diferença entre brincar de “oh, tenho tantas referências” e simplesmente as vestir como segunda pele, sem deixar de ser meninos de boas famílias, recém-saídos da universidade, querendo se divertir. But the kids don’t stand a chance.
No fim, a curta duração do disco ajuda. O frescor que parece trazer algo novo, mas aos poucos percebemos que tudo já estava lá – em Paul Simon, nos Belle & Sebastian, nos Strokes e mesmo assim, o disco é leve, e agradável, como universitários americanos de férias em uma savana africana, tentando aprender a tocar kwassa kwassa. (Marcus Martins)

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