
Mariee Sioux é uma jovem cantora folk. Lançou seu primeiro disco, Faces in the Rocks, há poucos meses, pela Grass Roots Records. É de Nevada City, mesma cidade de Joanna Newsom e Alela Diane, para quem ela anda abrindo os shows. Tem uma voz absolutamente mágica, mas esse seria apenas um dom desperdiçado se ela não tivesse toda a precisão a respeito do que fazer com ela. “Wizard Flurry Home”, a faixa que abre o disco, mostra de forma certeira a dimensão de dramaticidade na forma de usar a voz. Dramaticidade que está também colada à maneira de alterar o andamento para mais rápido ou mais lento, e saber quando usar coro ou aumentar a força da voz. O primeiro minuto, cravado, é apenas uma introdução para estabelecer a ambiência. Mas ela avassala logo depois disso, quando começa a melodia central da música. Ela consegue um equilíbrio incrível entre fazer sua voz cantar simplesmente a música e ao mesmo tempo chamar atenção para sua exuberância. E ao mesmo tempo consegue dosar domínio e fragilidade de maneira impressionante. A melodia do primeiro minuto volta, junto com a flauta indígena, ali pelo final do terceiro minuto, num possível momento de fraqueza da faixa. Mas ele só existe para que, uma vez que a melodia central entre de novo e Mariee Sioux cante “brown knees, white bees”, o nocaute seja completo. Não deixe que nada da mitologia em volta – tradição, hippice, ascendência indígena, o pacote completo – atrapalhe o que está em questão. E, aqui, é a beleza, simplesmente. Límpida, trabalhada e pura. Um dos momentos altos do ano, definitivamente. (Ruy Gardnier)
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A superação do gosto é um dos maiores esforços a que deve se dedicar o indivíduo que se pretende crítico. O gosto, entendido como expressão de uma “insociável sociabilidade” (Kant) a universalizar critérios subjetivos, conduz geralmente a petrificação da perspectiva, com prejuízos severos para a avaliação. Mas, de um ponto de vista nietzscheano, podemos dizer que ao tomar cuidado com a influência nefasta de suas preferências, o crítico, ainda assim, reforça o conteúdo idiossincrático dessas preferências, pois não está em seu poder escapar dele. Assim, me desdobro para ouvir a onda “new folk” (whatever…), ou mesmo a “diva” Joanna Newsom, na medida em que vozes doces e modos frágeis não me falam ao “gosto”. Sob o peso dessas contradições, encaro Mariee Sioux e busco captar as freqüências: um clima interessante, uma flauta sioux, uma letra semi-concreta (oh, freeze our dance under lakes and freeze our dance into snow-oh-angel pillows…) e… Bem, mais uma vez o “gosto” me prega uma peça e interdita o acesso a outras possíveis qualidades desta cantora a qual, num dia de mau humor, não me referiria com tanto cuidado. (Bernardo Oliveira)
kaki king, falem um pouco disso…
abraços
ah, achei o OM uma bela merda
é bonito.