Conheci o trabalho do George Belasco através da coletânea Ceará Original Soundtrack, promovida pelo site Gerador Cultural, direcionado para a divulgação da cena underground cearense. Para alguns, Fortaleza hoje é uma forte candidata a, tal como a Recife de meados da década de 90, prover o resto do país com uma música violentamente nova. Não chega a tanto. Mas levando em consideração a máxima ”onde há fumaça há fogo”, catei e descobri, além do já sabido Cidadão Instigado, o duo Montage, que faz um tecno-funk-macumba muito mais provocante do que o “alardeado” pela maranhense Rita Ribeiro…; os espertíssimos rappers do Costa à Costa; o Dj Guga de Castro, que explora os ritmos nordestinos no universo das colagens digitais; e este curioso, intrigante e bastante informado George Belasco. Da demo de 2007, “E quem mata o carrasco?”, feita em casa pelo próprio George, destaco “Sangrem o carrasco”: tal como nas outras faixas, o que ouvimos aqui é uma miscelânea de influências, que vão de Devo até Zumbi do Mato, sintetizadas de forma tão espontânea – e com muito punch, raridade entre as atuais bandas de rock brasileiras – que chegamos a crer que o que Belasco faz é algo inteiramente novo. Reparo especialmente no refrão, como, no fim dele, ecoa um acorde quase jazzístico; como o jogo de vozes é bem articulado (uma das vozes intercalando o refrão com o grito “eu disse!”); como as três texturas que compõem a faixa são simples e eficazes. A baixa qualidade da produção não impede que vejamos em George Belasco & o Cão Andaluz algum futuro para o rock feito no Brasil. (Bernardo Oliveira)
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Começa bem, com uma base sintetizada fazendo a marcação, a voz falada, desdramatizada, atmosférica, o baixo um pouco à moda das Breeders. Mas logo que entra a bateria – uma bateria boa até, em especial pelo pulsante contratempo no refrão – o caldo desanda com uns barulhinhos horríveis transformados em melodia pré-refrão e com uma total desintegração entre graves e agudos, o que faz com que a gente nunca tenha a percepção de um som cheio. Nem pelos gritos dos dois vocalistas. Que, aliás, quando falam/cantam “Quem vai matar o carrasco?”, pela dramaticidade exagerada impressa em cada sílaba, evocam nada saudosas lembranças de overacting típico de teatro amador. (Ruy Gardnier)

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