20
Abr
08

Siba e a Fuloresta – Toda Vez Que Eu Dou um Passo o Mundo Sai do Lugar (2007; Ambulante Discos, Brasil)

Cantor, compositor, guitarrista, rabequeiro, mestre na poesia rimada, por três discos Siba capitaneou o Mestre Ambrósio, um dos grupos mais expressivos do manguebeat. Após o fim do grupo e de uma estadia de 7 anos na cidade de São Paulo, Siba retornou a Pernambuco e fixou residência em Nazaré da Mata, importante eixo de produção musical de maracatu rural, coco, ciranda entre outros. A partir da instalação de um home studio, criou o grupo A Fuloresta, reunindo a nata dos poetas e instrumentistas da Zona da Mata: Biu Roque (percussão e voz), Mané Roque (percussão e voz), Zeca (percussão), Roberto Manoel (trumpete), Galego (trombone), João Minuto (sax tenor) e Bolinha (tuba). O grupo lançou em 2002 o independente e aclamado Fuloresta do Samba, e, em 2007, Toda Vez Que Eu Dou um Passo o Mundo Sai do Lugar, com as participações da cantora Céu, do guitarrista Lúcio Maia, de Fernando Catatau e de Isaah, ex-integrante do Comadre Fulorzinha.

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No registro da música “folclórica”, a acessibilidade ocasionada pela evolução dos equipamentos de gravação e edição digitais favoreceu a expansão dos títulos em uma escala nunca experimentada antes. Dos anos 30, particularmente dos esforços compilatórios de Mario de Andrade, até meados da década de 90, contam-se nos dedos as iniciativas de registro das manifestações musicais rurais ou oriundas de contextos urbanos menos favoráveis. Os mais contundentes esforços nesse sentido: o Documento Sonoro do Folclore Brasileiro, projeto da Funarte, parcialmente relançado em CD, e o Mapa Musical do Brasil, produzido por Marcus Pereira, ambos com pretensões de registro; e, anos depois, o cd quádruplo Música do Brasil, uma compilação de artistas de todo o Brasil, dirigido por Hermano Vianna e Beto Villares, gravado no intuito de flagrar a diversidade musical brasileira em plena atividade. Em ambos os casos, diferentes abordagens do problema da cultura popular, ao qual poderíamos anexar o “resgate” levado a cabo por Ariano Suassuna (mas também pelo rótulo “samba de raiz”) e a proposta de diálogo com a cultura estrangeira do manguebeat. Na iniciativa da Funarte, o registro funcional das manifestações musicais; no sistema de Suassuna, uma perspectiva sobre a cultura que subscreve a produção a uma essência “nacional”; na iniciativa de Hermano e do manguebeat, a preocupação com o presente e com o futuro das práticas musicais e culturais. Este painel, incompletíssimo, apresenta no entanto algumas posições fundamentais nos debates sobre música no brasil: primeiro, o fetiche da essência, a crença na imobilidade e o respeito à tradição; depois, o bem intencionado e institucional cultivo do registro; e, ainda, a promoção de meios para a mobilidade constante e da interlocução da música com as mais diversas formas de produção cultural.

“A vida não dá certeza, pois tudo se movimenta”: com seu último disco, ainda que Siba e Fuloresta se posicionem de alguma forma neste debate, o fazem de modo a superá-lo definitivamente. Pois nele, apesar de termos perfilados uma série de cocos, cirandas e frevos, gêneros considerados “folclóricos” e/ou “regionais” e que, por isso, são arrolados em alguns dos discursos listados acima, pode-se dizer, com segurança, que as palavras “registro”, “essência”, “tradição” e, até mesmo, “mobilidade” e “interlocução” não comportam toda a invenção que grupo e álbum nos trazem. A música da Fuloresta reside à parte deste universo, válido, mas excessivamente acadêmico, burocrático e idealista. Com Toda Vez…, o grupo afirma pelo menos duas novidades interligadas: uma naturalidade, uma sabedoria, um “estar-à-vontade” em relação aos gêneros trabalhados, e, ao mesmo tempo, uma disposição para recriá-los às antípodas das gravações que até então foram consagradas a eles. É música viva, que se explica por si só, que não carece de adendos e notas. Aqui, não cabe o velho discurso sociológico, que a cada faixa tem de perfazer toda uma gama de fenômenos extra-musicais para explicar, por exemplo, o que é o coco (“Com influência africana e indígena, o coco é uma dança de roda acompanhada de cantoria e executada em pares…”). Devo observar também que, ao contrário da música da Nação Zumbi ou de Marcelo D2, que acabaram por privilegiar o elemento estrangeiro, Siba e a Fuloresta propõem que a base seja criada a partir dos sons de Nazaré da Mata, e que o adereço seja “estrangeiro” (uma guitarra, um piano, um efeito na voz, um sample…). Obviamente, digo isso sem preconceito, pois idolatro o Nação Zumbi. Mas é uma diferença digna de nota, observável não só em toda a carreira de Siba e a Fuloresta, como também em Candombless, de Carlinhos Brown.

Dito isto, vamos à matéria. Trata-se de um disco extremamente dançante e bem humorado, itens que lhe conferem uma leveza em nada comparável com a banalidade da Mpb pseudo-chic que vigora por aí. Primeiramente, porque Siba e a Fuloresta desenvolvem um trabalho sólido de composição sobre o vocabulário do frevo, do coco e da ciranda. São belas canções como “Alados”, parceria de Siba com Lúcio Maia; irônicas em diversos momentos, mas sobretudo em “Meu Time”; e críticas como em “12 Linhas”, cantada por Mané Roque (“em cada morada um berço, em cada berço um pagão…”) ou “Será” (“será que ainda vai chegar o dia de se pagar até a respiração…”). No que diz respeito à instrumentação, Toda Vez… tem por eixo central o trabalho com a percussão e o metais. E aqui podemos dizer que se encontra o segundo grande destaque do disco, porque o modo como o grupo resolve as dinâmicas de percussão e arranjos de metais é de uma riqueza prodigiosa. São muitas as vezes em que nos surpreendemos com os diversos recortes harmônicos e rítmicos, sejam realizados pela tuba, como na faixa-título e na linda “A Folha da Bananeira”, cantada por Biu Roque, seja pelo ataque em conjunto do trumpete, do sax alto e do trombone em “Meu Time” e “Tempo II”, seja ainda pela interação dos metais com a percussão, em “Pisando em Praça de Guerra”. Soma-se à composição e instrumentação, o elemento arranjo, no qual o disco também se destaca: são sensíveis as intervenções dos efeitos, particularmente em “12 Linhas”, as colocações dos instrumentos esporádicos como o piano em “Alados”, os pequenos detalhes, como as palmas na faixa título ou a ambiência de “Meu Time”. Do início do álbum, um relato de nascimento e iniciação (“Pisando em Praça de Guerra”), até a ode alegre à morte em “A Velha da Capa Preta”, Siba e a Fuloresta excedem todas as expectativas anteriormente criadas pelo já excelente Siba e a Fuloresta, de 2005. Completa a riqueza do álbum a programação visual criada pelos grafiteiros paulistas “Os Gêmeos”, baseada no trabalho realizado para um DVD do grupo.

Pode ser considerada uma limitação de minha parte que ainda tenha que situar o disco nas polêmicas confusas do debate nacional-popular-cultura-de-massas… Mesmo querendo dissociar a excelência de Toda Vez… desse quiprocó, me foi inevitável fazê-lo. Pois tenho a certeza de que por mais que reconheçamos o novo, ainda assim, somos tributários do contexto que o produziu, e que “rupturas” são apenas produto da nossa imaginação. Mesmo o novo, ele próprio, identifica-se de alguma forma com aquilo que critica. Na perspectiva oficial encontram-se elementos isolados que fornecem. em instrumentos e sugestões, as armas para sua própria neutralização. Toda Vez… traz em si o germe da mudança, mas esse germe foi inoculado em diversos níveis por uma alta consciência, que, ao menos em parte, interagiu com esferas diferentes, aparentemente desconectadas: a institução, a academia, o comércio, que sobrecodificam e traduzem as manifestações rurais, ausentes das cidades. Depois, houve um momento em que esta consciência se pôs em direção ao contexto criativo e, daí então, a criação de uma relação específica de visões e, sobretudo, uma articulação concreta no sentido de reinterpretar a interpretação da institução, da academia e do comércio. Siba é esta alta consciência, que soube fazer a ponte. Entretanto, uma coisa é pensar a questão de um ponto de vista sócio-cultural, na qual, penso eu, acabo por resvalar. Outra, é a experiência de ouvir o disco. Toda Vez… possui essa altivez contagiante e dionisíaca, dançante e carnavalesca, mas também reflexiva, capaz de criar condições adequadas para a ultrapassagem das limitações objetivas e subjetivas da confusão musical brasileira. (Bernardo Oliveira)

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Quando o Bernardo sugeriu o disco do Siba e a Fuloresta, me perguntei por que até então tinha deixado passar esse artista tão bem falado. Ouvi e gostei. Me impressionei com a intensidade e, principalmente, com o cuidado nas orquestrações. Coisa fina. Daí depois surgiu a informação, banal porém desconhecida (ou apreendida e em seguida esquecida), de que Siba era o líder do Mestre Ambrósio. Não tive muito contato com o grupo, mas a impressão inicial foi bem negativa, porque eu de cara aproximei as estratégias sonoras do grupo à “modernização” operada aqui no Rio pelos universitários que, encantados com a música tradicional (chorinho, samba, etc.) mas ao mesmo tempo ciosos do tecnicismo e da limpidez que herdaram de sua época, acabaram diluindo a experiência original, despoluindo-a de suas “impurezas”, e ironicamente clamando uma volta às raízes (tem algo mais lamentável do que a expressão “de raiz”, que há uns 15 anos ouvimos freqüentemente?) quando o que se fazia era uma mímese assimilada a certos padrões de gosto e hipocrisia cultural de uma época.

Hoje não saberia dizer o que acho do som do Mestre Ambrósio, porque tudo isso acima são impressões bem das passageiras. Mas sei que, além de discordar ideologicamente dos pressupostos musicais evocados pelo grupo, o resultado não me apetecia, não via uma personalidade marcante, tampouco uma beleza impessoal.

Não sei do primeiro disco de Siba e de sua Fuloresta, mas Toda Vez Que Eu Dou um Passo o Mundo Sai do Lugar me parece inocente de todas as acusações que se possa imputar acima. Principalmente na idéia de diluição; em seguida, de mímese. Porque, ainda que a gravação e a equalização sejam de primeira categoria, existe um cheio do som, uma imperfeição no cantar carregado (um dos grandes destaques do disco), um desarmônico nas estridências dos metais, que dão ao disco uma personalidade muito característica e fora dos padrões dos produtores modernosos e também da bela música dos tenentes jobinistas.

Mas o que eleva Toda Vez… a uma categoria mais alta são os arranjos, na maneira como os metais em especial dão a melodia principal, volta e meia com um instrumento se desgarrando docemente (a tuba, geralmente), mas também como eles constroem uma riqueza de detalhes nos momentos cantados, e o chocalho ao fundo fornecendo uma pulsação constante e contagiante ao todo. É um disco que não precisa evocar o peso de sua tradição para mostrar sua grandeza. Ao contrário, ele se basta com a leveza de sua fluência e com a graça de energia. Apesar de uma ou duas faixas menos inspiradas e algumas escapulidas nas filosofices típicas de ditos populares, é um disco vivo e que olha pra frente. O que, diante do atual panorama brasileiro, merece respeito e atenção. E palmas, por que não? (Ruy Gardnier)

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Desde “Da Lama ao Caos”, de Chico Science e Nação Zumbi, que esperamos na música brasileira um disco de mesma intensidade, qualidade, inovação e urgência sonora. Alguns nomes interessantes apareceram, mas nada que tenha desbravado novos territórios ou explorado fusões rítmicas ainda não instituídas. Porque é da fusão de tradições populares e sonoridades estrangeiras que a música brasileira vem se renovando nos últimos cinqüenta anos. De movimentos populares como a Bossa Nova, a Tropicália, o rock dos anos 80 e o manguebeat.

Siba e sua Fuloresta traçam a fusão de diversos ritmos, mas quase todos de ordem genuinamente nacional, o que é louvável, em certo sentido. As letras são ótimas e possuem rimas bem-feitas e criativas; a produção é excelente; a gama de instrumentos utilizados é extensa e variada; os vocais são bons e à moda brasileira; as composições são belas e muito bem executadas; as melodias são ótimas. Então, o que falta a Siba e sua Fuloresta?

Talvez algo maior, talvez aquilo que esperamos desde “Da Lama ao Caos” (ou Afrociberdelia – como preferir). Algo não exatamente grandioso, ou que estabeleça novos parâmetros para a nossa música, mas algo que esteja de acordo com o que já foi feito criativamente no país. Talvez a fonte tenha realmente se esgotado e não reste mais nada de novo a fazer ou fundir na música brasileira. Sejamos otimistas, porém. Os tempos mudaram e é bacana que um músico como Siba se instale no interior de Pernambuco para estar sintonizado com o que tem sido feito de mais novo em gêneros como Frevo, Ciranda e Coco. Mas a pergunta é: há algo de novo a ser produzido nesses gêneros, assim como em outros intrínsecos à cultura brasileira?

Não, porque estes já foram criados e já têm suas formas definidas, e é por isso que a música brasileira só se renovou através de grandes fusões, da sagacidade de grandes músicos, de muito conhecimento da música interna e externa, ou quem sabe até das emoções mais primitivas, selvagens, do silêncio. Ao menos Siba está consciente de que cada vez que dá um passo, o mundo sai do lugar. Um entendimento que é importante e falta à maioria dos artistas brasileiros. Entretanto, o que esperamos é alguém que dê um passo além do mundo; o que nos leva a mais um pergunta: diante da conjuntura veloz, confusa e pós-globalizada da sociedade moderna, é possível dar um passo mais largo que o mundo? E mais: com a agravante crise das gravadoras e de um suporte físico rentável para todos, ainda é possível ser inovador e popular ao mesmo tempo? (Thiago Filardi)

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O título deste disco é um achado, mas também incongruência, a música de Siba e a Fuloresta do Samba, não parece ter pretensões de sair do lugar; eles cortejam muito mais a repetição de fórmulas e a tentativa de encontrar soluções para a estagnação de gêneros musicais tidos por mortos, como as múltiplas formas de música regional. Esse talvez seja um dos maiores problemas de lidar com a tradição: como preservar um patrimônio que teve seu apogeu em outra época sem cair na repetição, ou pior, na necrofilia musical? Alguns podem escolher mimetizar o que os ídolos faziam, correndo o risco de parecerem macacos em roupa de época; outros preferem alguma dignidade – encontrar sua voz preservando suas raízes; ou melhor, absorver a matéria-prima de forma a que possa chamá-la de sua.

Diferentemente da maior parte de seus contemporâneos que tentar modernizar chamada música regional, com a mistura a gêneros mais “atuais” como o rock ou a música eletrônica, Siba não parece interessado em agregar novos elementos aos sons empregados pela Fuloresta do Samba, músicos que já dominavam o repertório que desejava explorar, investindo grande energia na construção de canções de forte caráter comunitário e com ótima produção(o que é raro em música regionalistas, onde o fator registro normalmente supera qualquer preocupação com fidelidade). Outro ponto a notar é que, além da Fuloresta, a interferência de seus inúmeros convidados, mais afeitos ao uso do regional que a prática deste, apenas é identificada por seus nomes nos créditos dos discos, ouvindo pouco de suas individualidades, mesmo quando dividem com Siba os créditos da composição. Esta absorção reforça o papel de Siba como mestre-de-cerimônia e criador de um ambiente propício ao desenvolvimento de seu ideal. As canções parecem menos estudos de gênero, investigação musicológica, que instrumentas confortáveis com um idioma específico e explorando os potenciais com liberdade.

É curiosa a situação onde tal música parecer ter mais apelo fora do país, isolada de seu contexto e jogada no balaio da world music, do exotismo. Da mesma forma que muita da música africana ou asiática celebrada mundo afora é pouco valorizada em seus próprios países. A questão então seria se tais manifestações tem verdadeira correspondência na cultura local, ou se apenas reflete questões que não são mais relevantes. Ainda assim, percebemos no trabalho de Siba grande capacidade de comunicação: aquilo que ouvimos não causa estranheza, mesmo que nunca tenhamos atentado para qualquer dos ritmos utilizados, a identificação é imediata. Também ficando longe das bossas-batucadas, do drum’n'bass de butique, do banquinho e do violão plantados na praça de alimentação do shopping center. E ainda assim tem apelo popular, com muitas da faixas convidando a dançar e o que impede a sua popularização não pode ser mais que obtusos interesses comerciais que limita tudo a categorias estanques.

As faixas título e a que abre o disco são, de longe, os momentos mais felizes. Não apenas por suas estruturas ou pela vibrante execução como também por uma certa circularidade que ecoa a idéia central de cada uma. No caso de “Toda Vez Que…” a repetição do título; os instrumentos tocados com um misto de excitação e doçura; o jogo entre Siba e o coro; o ataque dos metais em uso espetacular, tudo corrobora para o clima de celebração.

Apesar de não se limitar ao uso dos ‘gêneros regionais’, o uso de elementos alienígenas é sutil e em muitas vezes, pouco notável. O papel da percussão é digno de nota, no local de tomar a frente da música preencher todos os espaços, seu uso é comedido e preciso, contribuindo para a sensação de leveza que o álbum não abandona por um só momento, mesmo quando a festa se mistura a mordazes observações. O problema fica – até onde ele poderá levar sua música e não fechar o círculo, virando folclore?

Algum incômodo ainda fica em algumas faixas, em especial nos momentos em que uma crítica aos rumos das coisas, com suas repetições de idéias simples e até coerentes não animam a audições repetidas. Não sei muito bem se gostaria de ficar ouvindo como mantra a especulação sobre se no futuro, pagaríamos para respirar. Em outro aspecto, “Meu Time” é engraçada, mas só isto e ainda conta com um dos coros mais chatos de todo o disco.

O resultado aponta mais para sinergia que composição; a união de instrumentistas que empregam mais vigor que virtuosismo. No fim, o que importa é que o som de Siba encontra no maracatu regional, na ciranda, na marchinha, no coco, elementos suficientes para transmitir vida, sendo suficiente em sua proposta, independendo da apreciação ou não da preservação de ritmos, nas políticas culturais, no que pensa Ariano Suassuna…(Marcus Martins)


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