23
Mai
08

The Shangri-Las – “I Can Never Go Home Anymore” (1965; Red Bird, EUA)

The Shangri-Las

O grande destaque, e aquilo que faz a notável excentricidade das Shangri-Las, é o grau de dramaticidade com que suas canções são carregadas. Algo, deve-se dizer, totalmente incompatível com o temperamento que se imagina de quatro (ou três, depois) mocinhas brancas e suas vidas de namoricos. Mas isso é um olhar exterior: todos que ainda lembram de sua adolescência recordam-se de cada assunto como razão de vida ou morte, seja namoro, competição, colégio, esporte… As Shangri-Las vão trabalhar inteiramente nessa esfera e “I Can Never Go Home Anymore” é um dos exemplos mais patentes daquilo que as tornava únicas: a menina se apaixona por um rapaz, a mãe não aceita, ela decide fugir de casa e isso acaba com sua vida (mesmo porque logo depois ela vai se esquecer do rapaz). Mas o contorno conservador (força da família contra ameaça externa) não deve obscurecer a revolucionária estrutura da canção, quase inteiramente falada nas estrofes, em tom de conversa com a ouvinte também adolescente (a letra é na verdade um conselho para que não façam como ela, para que abracem a mãe e mostrem como amam-na), e na orquestração altamente melodramática nos momentos de clímax emocional junto com o côro feminino dizendo a ela “You can never go home anymore”. Em todos os aspectos, um OVNI para a canção comercial dos anos 60 nos EUA. Depois, a idéia da faixa falada seria reaproveitada de maneira ainda mais inacreditável no ano seguinte em “Past, Present and Future”, tendo como acompanhamento de fundo as conhecidas notas da Sonata ao Luar de Beethoven para mais uma dramático romance adolescente seguido de depressão absoluta. O que dizer? As Shangri-Las são o máximo! (Ruy Gardnier)


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