Janeiro de 2012, um ano da morte prematura e inesperada de Trish Keenan, vocalista e líder do Broadcast. Em tempos de tantas subversões melódicas, aliadas a peraltices eletrônicas cada vez mais criativas (de Panda Bear a Ekoplekz), impossível esquecer da sonoridade do Broadcast, ainda que essa, de certa forma, recorra com mais obviedade a um caminho mais indie e mesmo pop. O caso é que, ouvindo discos como Haha Sound (talvez o mais aclamado), e mesmo esse econômico e por vezes melancólico Tender Buttons, é sempre inspirador perceber como o grupo consegue transformar qualquer barulhinho, qualquer faísca sônica de origem crua, em melodias sutis, envolventes e altamente potentes em sua capacidade lírica. Nuance muito bem explorada em “Tears In The Typing Pool”, de Tender Buttons. Seguindo uma lógica mais minimalista, como quase todo o restante do disco, a faixa é de uma melancolia quase lúdica, ainda que devastadora, com seu violão singelo, seu sintetizador envolvente e, claro, a voz mais do que tocante de Trish, recitando versos enigmáticos em um tom quase angelical. James Cargill, único companheiro de Trish em Tender Buttons, disse em uma entrevista que está trabalhando em um álbum inédito do Broadcast, utilizando-se do vocal que Keenan havia gravado antes de sua morte; o que é animador em certo sentido, mas se uma faixa como “Tears In The Typing Pool” já soa mórbida e distante o suficiente, imagine ouvir Trish depois de sua morte. Ainda que o ruído lírico do Broadcast faça falta, um novo lançamento talvez seja outra pancada no coração. Pois que seja lenta e dolorosa como essa. (Arthur Tuoto)
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