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	<title>a camarilha dos quatro &#187; campante</title>
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		<title>Terence Blanchard &#8211; &#8220;Good and Ready&#8221; (2006; Varese Sarabande, EUA)</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Sep 2008 18:41:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>campante</dc:creator>
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<p>Como os companheiros de Camarilha podem atestar, <em>O Plano Perfeito</em> é um dos melhores filmes de 2006. Não é de se surpreender, já que se trata de uma obra de Spike Lee, um cineasta sábio e ilustre torcedor do New York Knicks, da NBA. Também não é surpresa que a trilha sonora do disco seja extremamente aguçada, concebida por Terence Blanchard, parceiro de outros carnavais de Mr. Lee. Entre outros, o desafio de conceber uma trilha sonora é articular o processo de criação do músico com o universo imaginário do cineasta, uma tarefa que já rendeu pérolas como a parceria Miles Davis/Louis Malle em <em>Ascensor para o Cadafalso</em>, de 1958. No caso de <em>O Plano Perfeito</em>, ajuda bastante o fato de a dobradinha Blanchard/Lee estar em seu sétimo encontro desta natureza. E, com uma simplicidade arrebatadora, Blanchard faz toda a trilha do filme com, basicamente, um par de temas. &#8220;Good and Ready&#8221; é a súmula do disco. Tanto que é a música do clímax do filme, o momento em que o detetive interpretado por Denzel Washington entende tudo o que se passou. E, em pouco mais de dois minutos, está tudo ali, em forma de som: no tema do sax, a chegada em casa, para os braços da mulher que o esperava; nas orquestrações, o momento de reflexão em que cai a ficha do que houve; por fim, na pegada do baixo e na batida seca da bateria, um afeto de satisfação, como se o riff encontrasse os instrumentos perfeitos para a sua execução. E o melhor é saber que, se tudo correr bem, haverá uma seqüência para <em>O Plano Perfeito</em>. (Tiago Campante)</p>
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		<title>Black Francis — svn fngrs (2008, Cooking Vinyl, Inglaterra)</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Jul 2008 15:39:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>campante</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[black francis]]></category>
		<category><![CDATA[frank black]]></category>
		<category><![CDATA[pixies]]></category>
		<category><![CDATA[rock alternativo]]></category>

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Black Francis é Charles Michael Kittridge Thompson IV, nascido em Boston (EUA), em 1965. Já foi o Black Francis dos Pixies, uma das bandas mais importantes do rock no fim dos anos 80 e começo dos anos 90, quando atingiu reconhecimento crítico e no meio musical. Depois, basicamente nos últimos 15 anos, foi Frank Black, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=camarilhadosquatro.wordpress.com&blog=2830759&post=313&subd=camarilhadosquatro&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><a href="http://camarilhadosquatro.files.wordpress.com/2008/07/svnfngrs.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-312" src="http://camarilhadosquatro.files.wordpress.com/2008/07/svnfngrs.jpg?w=180&#038;h=180" alt="" width="180" height="180" /></a></p>
<p>Black Francis é Charles Michael Kittridge Thompson IV, nascido em Boston (EUA), em 1965. Já foi o Black Francis dos Pixies, uma das bandas mais importantes do rock no fim dos anos 80 e começo dos anos 90, quando atingiu reconhecimento crítico e no meio musical. Depois, basicamente nos últimos 15 anos, foi Frank Black, em carreira solo. Em 2007, voltou a ser Black Francis e, depois de <em>Bluefinger</em>, lançou este ano <em>Svn Fngrs</em>, um mini-LP gravado em menos de uma semana, com guitarra, voz, baixo e bateria.</p>
<p>*#*</p>
<p>Enquanto ponderava a indicação de <em>Svn Fngrs</em> na minha estréia na Camarilha, conversava com o Bernardo sobre a relação curiosa que a gente estabelece com um artista que conhece há muito tempo. Tal é o caso de Black Francis, que nós conhecemos como principal compositor e cantor dos Pixies, depois acompanhamos durante os tempos de Frank Black e, agora, voltou a ser Black Francis, solo. E o Bernardo me perguntou se eu achava que ele tinha mudado muito nessas idas e vindas de pseudônimo. Bom, não. Não muito.</p>
<p>E, ao indicar <em>Svn Fngrs</em>, fui ouvir o disco pensando em quais razões moviam Black Francis/Frank Black adiante. Sucesso comercial é que não é. Quem viu o DVD <em>loudQUIETloud </em>sabe que isso ficou mal resolvido para os Pixies, que encontraram sucesso na turnê de retorno, mas àquela altura já pareciam ter mágoas e tristezas demais na bagagem. Os tempos de êxito crítico também ficaram para trás. Qualquer disco que Frank Black/Black Francis tenha lançado nos últimos 15 anos foi sempre julgado e condenado em comparação com os Pixies (<a href="http://www.pitchforkmedia.com/article/record_review/49914-black-francis-svn-fngrs">confira aqui, por exemplo</a>). Então, o que move Black Francis?</p>
<p>Talvez seja simplesmente teimosia. Junto com os tempos de Pixies, ficou para trás a era da indústria cultural <em>as we knew it</em>, ou seja, aquela fase das nossas vidas em que todo mundo ouvia mais ou menos as mesmas coisas, os CDs internacionais não chegavam ou chegavam com atraso aqui. Hoje em dia, até um gigante como Bob Dylan pode lançar um belo disco (<em><a href="http://www.bobdylan.com/moderntimes/albums/moderntimes.html">Modern Times</a></em>), fazer um <a href="http://vids.myspace.com/index.cfm?fuseaction=vids.individual&amp;VideoID=3790369">clipe com a Scarlett Johansson</a> e vir tocar no Brasil que ninguém dá muita bola.</p>
<p>Por outro lado, hoje em dia o artista não precisa ficar preso às determinações da indústria fonográfica e pode lançar suas músicas mais à vontade. Então, se o sucesso não veio na época que poderia para Black Francis, ele ao menos pode gravar e lançar tudo o que faz, gostemos nós ou não. E é o que ele vem fazendo, seja quando acerta (<em>Fastman Raiderman</em>, 2006) ou quando passa ou pouco mais longe (<em>Bluefinger</em>, 2007).</p>
<p><em>Svn Fngrs</em> não está nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Tem momentos diferentes, como a pegada meio funkeada de &#8220;The Seus&#8221;. Tem sonoridades mais familiares como &#8220;Garbage Heap&#8221;, que traz ecos da obra-prima <em>Teenager of the Year</em> (o que é um elogio meio torto). Tem tropeços como &#8220;I Sent Away&#8221;, mas um artista como Black Francis nunca faz feio de verdade. Há sempre arranjos vocais sutis e bem bolados, levadas de guitarra singelas e honestas, quase cafajestes (&#8220;Half Man&#8221; e &#8220;The Tale of Lonesome Fetter&#8221;). Afinal, no som de Black Francis está presente quase uma enciclopédia do rock: lá estão o próprio Dylan, David Bowie, Tom Waits, Lou Reed, Rolling Stones, Beach Boys.</p>
<p>O fato é que Black Francis está aí, nem que seja por teimosia. E assim como toda teimoisa tem um pouco de burrice, tem também um tanto de perseverança, o que não deixa de conter uma potência de afirmação. Talvez por isso ele encerre o disco dizendo &#8220;When they com to murder me/I&#8217;m already gone bye-bye&#8221; (Tiago Campante)</p>
<p>* # *</p>
<p>Desde que ouvi <em>The Cult of Ray</em>, absolutamente todos os discos de Frank Black/Black Francis me fizeram retornar aos seus dois primeiros discos solo, o homônimo <em>Frank Black</em> e <em>Teenager of the Year</em>, e a <em>Trompe le Monde</em>, último disco dos Pixies que é, a sua maneira, já um começo da carreira solo para o cantor (parece incrivelmente mais com os dois primeiros solos que com os três outros discos dos Pixies). <em>svn fngrs</em> pode até ser mais interessante que a média de qualidade dos discos de Frank Black desde 1996, mas não evita o refluxo nostálgico aos momentos de maior inquietação artística e experimentação com composições, gêneros e arranjos. Uma época em que ele surpreendia pela versatilidade e a mistura de fúria e doçura que já impressionava com os Pixies, e que no começo solo expandiu seu repertório do metal ao reggae.</p>
<p><em>svn fngrs</em> começa bem, com &#8220;The Seus&#8221;. Não é uma faixa grandiosa, ela tem aquela cara meio burocrática de rock de veterano, com aquele bumbo marcando, aquela caixa seca. Mas o vocal domina: partes faladas desaguam em canto, alternância de voz aguda com grave, e uma maneira hilária de dizer &#8220;ban-di-doooooh&#8221; que leva um sorriso à boca. &#8220;Garbage Heap&#8221; e &#8220;Half Man&#8221; representam muito bem a razão da pouca atenção dada ao cantor hoje em dia: as composições são ok até, mas sua medianidade combina muito mal com os arranjos óbvios escolhidos na gravação. Existe até a impressão de que, na voz e no violão, as qualidades das músicas seriam ressaltadas. &#8220;I Sent Away&#8221;, ao contrário, é um rockão de verdade e justifica todo o peso dado ao arranjo de bumbo batendo três vezes, guitarra alta e esporrante e versos curtos, além de uma charmosíssima paradinha de bateria. Dá até pra esquecer o solo de gaita, que no entanto não incomoda. &#8220;Seven Fingers&#8221; é o lado vaqueiro do cantor; quem gostar que compre. &#8220;The Tale of Lonesome Fetter&#8221; também é um rock rotineiro, sem nada a se destacar. Mas tem surpresa no final: &#8220;When They Come To Murder Me&#8221; é a única que em algum momento faz lembrar a época áurea de Frank Black, em especial aqueles hits que dosam muito bem melodia ganchuda e punch (&#8220;Headache&#8221;, &#8220;Abstract Plane&#8221;). Mas nada que não me dê o impulso automático de ouvir &#8220;Los Angeles&#8221; ou &#8220;Parry the Wind High, Low&#8221;. (Ruy Gardnier)</p>
<p>* # *</p>
<p>Antes de especular sobre a arte do heterônimo, devo perguntar: como avaliar um EP, e mais especificamente, este EP? Como expressão parcial de um trabalho vindouro? Como retomada? Como pequena brincadeira? Como caça-níquel? A empreitada já oferece dificuldades preliminares, mas aqui o buraco é mais embaixo, pois trata-se do cantor e compositor Black Francis. Após anos assinando como Frank Black, e lançando uma série de álbuns que variaram da genialidade ao pastiche, Francis retornou com <em>Bluefinger</em> e lança agora este <em>svn fngrs</em>. Entretanto, me parece que este EP encerra uma espécie de tentativa desesperada de fugir a um estilo de composição e arranjo que começaram timidamente em <em>Bossanova</em> e, mais agudamente, em <em>Trompe le monde</em>. Um estilo que marcou o fim dos Pixies e o início da carreira solo de Francis, próximo do folk, do rock rural e das referências culturais do pop americano. E, neste caso, o EP representaria uma tentativa não de retomada, mas de recriação. Se o “eu é um outro”, como dizia o poeta, o heterônimo pode representar a aposta do artista em outras inflexões de sua personalidade criativa. No entanto, não se trata de catar no álbum aquelas composições belas, simples e estranhas que fizeram nossas cabeças no final dos anos 80, nem de buscar um novo <em>Teenager of the year</em> (a obra-prima de Black), mas de tentar compreender o caráter do heterônimo, isto é: em que movimento se inscreve esta mudanca e em que sentido <em>svn fngrs</em> a representa.</p>
<p>Bem, a primeira audição mostra que esta mudanca não ocorre propriamente. Vejamos. Quando começa a primeira canção, “The Seus”, tomamos um susto: seria a redenção? Uma guitarra desconjuntada e dissonante rasga a introdução, enquanto os vocais atacam: “you are a bandido!” Mas lá pelas tantas, a batida funk se converte num daqueles inconfundíveis e suaves refrões com os quais Frank Black preencheu boa parte de seus álbuns. “Garbage heap” dá prosseguimento ao EP, e aqui já se trata de um delicioso escorregão, porque é uma daquelas faixas muito semelhantes a algumas do <em>Teenager of the year</em>: balada com tecladão irônico e bateria bem marcada, que faz traz uma certa alegria ao ouvinte, fã e descompromissado. “Half man” segue na mesma direção, o que nos faz pensar que uma política dos heterônimos aqui não surte muito efeito. Já “I sent away”, a segunda melhor do EP, nos devolve a esperança: rock’n’roll pesado e rápido, com letra surrealista. “Seven fingers” também traz um sabor de déjà vu, pois é mais um daqueles rocks característicos de Frank Black, com violão, marcação nos ton-tons da bateria e refrão estilo “chá-com-pão” (na Tijuca dos anos 80, qualquer batida rock 4/4 era “chá com pão”, sobretudo naquela pegada Ramones…). “The tale of lonesome fetter”, a terceira melhor, tem um refrão bacaninha, marcado exclusivamente por acordes de guitarras e tambores. O álbum termina com “When they come to murder me”, mais um rock à moda da casa, que traz no próprio título o problema do álbum: quem morreu? Quem está morto? Quem morrerá? Afinal, o heterônimo traz um sentido, ou uma “inflexão” própria? Mas, então, existiria um eu referencial? Bem, deixa pra lá…</p>
<p>No fim das contas, SVN Fngrs acaba residindo no hiato entre o sabor relativo e a mesmice. Coisa que Frank “Black” Francis vem fazendo há muito tempo. (Bernardo Oliveira)</p>
<p align="justify">*#*</p>
<p align="justify">Ser Charles Thompson, também conhecido como Frank Black ou Black Francis, não é nada fácil. Também, ninguém mandou ter sido um dos artífices não apenas de uma das maiores bandas da história do rock, mas também um dos pilares do que veio a ser chamado de <em>indie-rock, </em>criando o modelo a ser seguido por todos os jovens que queriam criar uma banda após ele. São poucas as bandas relevantes criadas após o início dos anos 90 que não carregue alguma herança. Após a interrupção abrupta na trajetória da banda, Black Francis mudou sua alcunha para Frank Black e lançou uma pá de álbuns solos, acompanhado de seus amigos católicos.</p>
<p align="justify">Alguns álbuns iniciais deram a impressão de que teríamos uma versão pessoal para o legado dos Pixies, mas o que aparentemente aconteceu foi a acomodação criativa, com álbuns cada vez mais presos àquilo que ele próprio ajudou a criar, sem qualquer pretensão de grande contribuição para o legado estabelecido.</p>
<p align="justify"><em>SVN FNGRS</em> parece se beneficiar de sua curta duração e da utilização solta de um suposto conceito para fazer um dos álbuns mais instigantes de Mr. Black em muito tempo. Sete canções em pouco mais de vinte minutos, cantadas com intensidade e variedade suficiente para esquecermos de pelo menos uns cinco álbuns chatos que ele lançou na última década, começando com os esquecíveis <em>The Cult of Ray</em> e o recente <em>Christmass</em>. No fim, o lado conceitual parece desculpa para lançar qualquer coisa, ou repetir de forma aguada as incursões pelo bizarro que tanta singularidade trouxe a suas composições desde os Pixies. Um dos pontos de apoio de sua música vem sendo uma certa aposta em composições cruas, com muitas referências ao <em>punk</em>, especialmente à música dos The Stooges, mas o que já rendeu grande vitalidade em discos anteriores, mas aqui apenas serve de muleta e desculpa para o mais do mesmo. A produção é pouco polida para simular agressividade, com a suposta preservação das raízes que aqui parecem já um pouco apodrecidas&#8230;</p>
<p align="justify">Ainda assim, diga-se que não se trata de grande música, nada que não possamos encontrar em álbuns anteriores ou até mesmo em obras de seus imitadores. Nada que vá figurar em listas de melhores do ano ou que não caia no esquecimento daqui a não muito tempo. Por que permaneceria muito tempo ouvindo <em>SVN FNGRS</em> quando poderia ouvir <em>Frank Black</em>? Fora de questão.</p>
<p align="justify">Nem seria o caso daquele artista que cria uma forma de trabalho e apenas vai compondo uma Obra, pois apesar de não serem meras repetições, muitos dos discos dele poderiam ser regravações de discos anteriores, maior exploração de possibilidades abandonadas no frenético início dos anos 90. mas não, temos um gênio que se contentou em jogar fácil, jogar para a galera. Ah, licença que eu vou ali ouvir <em>Teenager of the Year.</em> (Marcus Martins)</p>
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		<title>Itiberê Orquestra Família &#8211; Pedra do Espia (2001; Jam Music, Brasil)</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Jul 2008 01:43:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>campante</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Hermeto Pascoal]]></category>
		<category><![CDATA[Itiberê Zwarg]]></category>

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A Itiberê Orquestra Família nasceu nos idos de 1999, a partir de uma Oficina de Música Universal conduzida na Escola Villa-Lobos, no Rio, por Itiberê Zwarg, integrante do grupo de Hermeto Pascoal. O projeto se firmou nos Seminários de Música Pro Arte e decolou de vez quando Itiberê se motivou com a idéia de criar [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=camarilhadosquatro.wordpress.com&blog=2830759&post=294&subd=camarilhadosquatro&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><a href="http://camarilhadosquatro.files.wordpress.com/2008/07/itibere.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-331" src="http://camarilhadosquatro.files.wordpress.com/2008/07/itibere.jpg?w=200&#038;h=201" alt="" width="200" height="201" /></a></p>
<p>A Itiberê Orquestra Família nasceu nos idos de 1999, a partir de uma Oficina de Música Universal conduzida na Escola Villa-Lobos, no Rio, por Itiberê Zwarg, integrante do grupo de Hermeto Pascoal. O projeto se firmou nos Seminários de Música Pro Arte e decolou de vez quando Itiberê se motivou com a idéia de criar uma orquestra de música popular com instrumentistas jovens e engajados, sem os &#8220;vícios&#8221; de músicos veteranos mais interessados em bater ponto do que em fazer música. <em>Pedra do Espia</em> é o primeiro disco da orquestra, que depois gravaria <em>Calendário do Som</em>, com canções de Hermeto Pascoal.</p>
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<p>Uma família que tem como pai Itiberê Zwarg e como avô Hermeto Pascoal tem, ao mesmo tempo, uma grande fonte de inspiração e sabedoria musical, e uma grande responsabilidade. Um dos artistas mais singulares do Brasil, Hermeto desenvolveu um estilo de criação que tem na orquestra sua terceira geração. Trata-se de uma profissão de fé na música; uma relação de amor com o som que começa no ouvir para só então ir para o tocar; e a certeza de que é preciso muito trabalho para se lapidar cada canção como quem faz uma jóia.</p>
<p>O que se ouve da Itiberê Orquestra Família é o resultado da aplicação desse método. Uma sonoridade que Hermeto primeiro chamou, no título de seu disco de 1973, de música livre, e depois chamaria de música universal. Uma festa de celebração do som, em seus mais variados ritmos, harmonias e melodias. Um universo ainda mais rico e intrincado quando se leva em consideração o que é uma orquestra em ação, com violino, violoncelo, viola, piano, sanfona, escaleta, flauta, flautim, voz, guitarra, clarineta, clarone, saxofones, trompete, melofone, trombone, violão, viola nordestina, cavaquinho, bandolim, baixo elétrico, bateria e percussões. Sob a batuta de Itiberê, compositor e arranjador do disco, os instrumentos conjuram uma música riquíssima.</p>
<p>A audição de <em>Pedra do Espia</em> encanta ao mesmo tempo que surpreende. São tantas nuances, tantas variações, que é preciso calma para acompanhar. Especialmente porque Itiberê subverte certas convenções, usando os instrumentos e as vozes em &#8220;funções&#8221; diferentes das que lhes são normalmente atribuídas, como dar aos sopros uma função mais rítmica que melódica em certas ocasiões.</p>
<p>Os jovens músicos da orquestra família correspondem à responsabilidade de estar à altura das complexas proposições musicais de Itiberê com talento, comprometimento, muita energia e, salpicada, uma dose de imaturidade que dá ao disco um caráter de promessa de que mais estaria por vir. Cada nota é tocada com minúcia, cada batida é feita com afinco. Exemplos disso são o incrível entrosamento exibido em &#8220;Na Carioca&#8221; e &#8220;Bota pra Quebrar&#8221;, o suíngue de &#8220;Forró no Encontro dos Rios&#8221;, a sutileza dos arranjos vocais de &#8220;Muito Natural&#8221; ou o hiato que é &#8220;Vale de Luz&#8221;, um dueto de piano (Vitor Gonçalves) e clarineta (Joana de Castro) que se destaca no meio de canções tão cheias de instrumentos.</p>
<p>O conjunto da obra é um som que chama a atenção também pela sua qualidade orgânica, humana. Com cada vez mais recursos tecnológicos sendo transformados em música, chega a soar diferente aos ouvidos um disco basicamente executado por tantos homens, mulheres e seus instrumentos. Mais impressionante ainda é ver a orquestra em ação, ao vivo, tocando, diante dos nossos olhos, aquilo que já parece incrível em estúdio. É ver para crer. (Tiago Campante)</p>
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<p>O advento da Itiberê Orquestra Família, de certa forma, não representa apenas uma renovação na música instrumental brasileira. De forma mais decisiva, ela aponta definitivamente para a eternização das influências de Hermeto Pascoal no seio da música instrumental praticada no país. Considerando que esse terreno foi muitas vezes utilizado como lote de xenofobia e/ou aparelho criador/reprodutor de folclore (ou seja, a arte que perde vibração e se cristaliza, museificada, em cultura), por si só a evidência da criação desse grupo já é auspiciosa. E Hermeto é um mundo. Só ele parece controlar a química que faz com que sua música seja ao mesmo tempo vanguardística e acessível, violenta e sutil, tradicional e alienígena, densa e bem-humorada, experimental em arranjos, timbres, composição, execução e filosofia. É um homem que envereda em sua busca pela beleza sem os preconceitos habituais, e por isso encontra-a sempre em lugares improváveis, desérticos. Ou seja, tê-lo como mestre implica necessariamente em trabalhar buscando uma beleza frenética, cheia de tensões e mergulhos.</p>
<p>O mínimo a dizer é que a Itiberê Orquestra Família e seu <em>Pedra do Espia</em>, primeiro disco do grupo, passam tranqüilamente no teste. É um disco totalmente maravilhado por Hermeto, nas composições em polirritmia, nos arranjos, na dinâmica entre gêneros regionais e intervenções jazzísticas. Itiberê Zwarg é assumidamente um discípulo e trabalha &#8220;à maneira&#8221; do mestre, e sua orquestra pode ser vista como uma contribuição &#8220;de escola&#8221;. Mas quando essa família se junta para tocar, o que se vê e ouve não é a subserviência conhecida do academicismo, mas pura vibração e exuberância, deslumbre com as possibilidades da música.</p>
<p>E <em>Pedra do Espia</em> dá total vazão a essas possibilidades. São 30 instrumentistas, 16 faixas e 93 minutos de música. É um disco inteiramente coeso no conceito, na qualidade da execução e nas variações possíveis de orquestração. Talvez &#8220;Doce&#8221;, música de abertura do cd2, seja aquela que apresenta de forma mais completa o conjunto: temas facilmente guardáveis, mudanças surpreendentes de andamentos, improvisações, equilíbrio entre eufonia e dissonância, e, claro, energia. Mas trata-se mais de um exemplo perfeito de faixa-soma do que de um destaque, uma vez que o disco inteiro passeia por caminhos de aventura e excelência, mantendo o nível lá em cima.</p>
<p>O único senão, confessadamente covarde, seria pedir que se reproduzisse a inominável energia que brota das apresentações ao vivo do grupo. Nelas, o som sai mais cheio e selvagem, e talvez uma certa limpeza em <em>Pedra do Espia</em> possa ser interpretada como o preciosismo do <em>clean</em>, sempre um risco (vide a estética ECM). Mas, como em nenhum momento existe prejuízo da criatividade ou da ousadia, a suspeita se desfaz e podemos curtir a orquestra &amp; família Itiberê numa boa. Discaço. (Ruy Gardnier)</p>
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<p>Sendo impossível avaliar este trabalho sem recorrer ao nome e à música de Hermeto Pascoal, convém então precisar as qualidades particulares que Itiberê Zwarg e sua “orquestra família” destilam neste maravilhoso <em>Pedra do espia</em> &#8211; digo maravilhoso para entregar logo o veredito, e passar diretamente às loas. <em>Pedra do espia</em> traz um total de dezesseis faixas, cada uma com um trajeto específico, rigorosamente inserido no universo musical de sínteses e climas criados por Hermeto Pascoal. Hermeto ressoa no álbum, sem dúvida: através da mistura descompromissada de jazz e ritmos brasileiros, das harmonizações inusitadas, dos improvisos empolgantes, da irreverência… Mas, fora a possibilidade de considerarmos a participação de Itiberê na construção desse precioso vocabulário, e a conseqüente reprodução desta contribuição no álbum da Orquestra, o que se pode depreender da experiência de ouvir <em>Pedra do espia</em> é a potência de um discurso sonoro para o qual se aplicam adjetivos e expressões como “livre” e “sem regras”, mas que, na verdade, exprime exatamente o oposto: Pedra do espia se define por uma disciplina rigorosa. Disciplina em termos de composição: todas as faixas apresentam desenhos melódicos e harmônicos, dinâmicas e ritmos diversificados, mas absolutamente coerentes com o “conceito” do projeto; disciplina em termos de execução: os músicos são virtuoses, mas não caem no discurso vazio do virtuosismo, valorizando o essencial, isto é, a música; disciplina na produção, que exprime equilíbrio entre a concepção apolínea e o vigor dionisíaco. É claro que algumas faixas são mais representativas desta disciplina do que outras. E isto ocorre no mais das vezes quando Itiberê e sua orquestra-família estendem as faixas, multiplicando as convenções e dinâmicas, sobrepondo melodias e harmonias com método, ampliando o vocabulário hermetiano com admirável perspicácia. São as faixas mais longas que melhor exprimem o que a orquestra-família tem a dar. A faixa-título, por exemplo, uma suíte inconfessa que conta com a participação do mestre Hermeto, traz um número de variações e convenções surpreendente, lembrando às vezes os excessos positivos de um Mr. Bungle. Na belíssima e complexa “Toada cigana”, onde trata-se exatamente de produzir uma sonoridade entre uma série de variações do mesmo “tema”, a toada&#8230;  Assim, a disciplina eficaz e única da Orquestra família de Itiberê Zwarg, se mostra, enfim, na própria disposição do grupo, quero dizer: o álbum não é duplo à toa, mas por conta de uma expressão inequívoca e abundante que percorre todos os seus noventa e três minutos. (Bernardo Oliveira)</p>
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<p align="justify">Nem vale o esforço divagar sobre a validade de boas intenções, projetos relevantes e de boa proveniência; iniciativas do tipo podem inundar o mercado fonográfico em determinados momentos para serem esquecidas rapidamente. São veteranos desesperados para salvaguardar seu legado; são jovens tanto querendo demonstrar respeito por suas raízes e influências quanto tentando pongar na respeitabilidade alheia. Mas também são visões que merecem estudo; são projetos iniciados, talvez até acabados, por outros artistas mas que ainda deixam margem para novas idiossincrasias. Aqui entra a Itiberê Orquestra Família. Iniciada como projeto pedagógico por Itiberê Zwarg, os frutos ali colhidos o levaram a vislumbrar a criação de uma nova orquestra, seguindo os caminhos que ele ajudou Hermeto Pascoal a traçar anteriormente.</p>
<p align="justify">Se o caso não é de oferecer grande contribuição ao legado de Pascoal, temos ao menos a firmeza e a concentração no aspecto que interessa, a música. Daí vem o mérito dessa formação: cada uma das faixas que compõem este longo álbum é repleta de energia e vontade de fazer música. E isso não é resultado de condescendência e simpatia pelo projeto, mas da mera audição de um álbum que, apesar da duração excessiva, não se apóia exclusivamente no passado dos músicos que lhe dá pedigree.</p>
<p align="justify">Um dos méritos mais evidentes da orquestra é executar as idéias de Pascoal com fluidez e alegria aliada a grande precisão. Nada ali é indulgente e gratuito. Apesar do estilo livre ou universal pregado pelo método, não há espaço para exibicionismos. Resta evidente que Itiberê conseguiu que seus jovens músicos aliassem objetividade com exuberância.</p>
<p align="justify">Apesar da falta da explosão que podemos encontrar tanto na música de Hermeto quanto em nós enquanto a ouvimos, reconheço que isso seria pedir muito, e não custa regozijar com um grupo de entusiastas que professam seu amor à música e ao legado de músicos que construíram uma das sonoridades mais singulares das últimas décadas. (Marcus Martins)</p>
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