Camarilha dos Quatro

Revista de crítica musical.

Boris – “メッセージ (Message)” (2008; Diwphalanx Records, Japão)

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“メッセージ”, ou apenas “Message”, começa com uma nota intermitente, que logo é colocada como painel sonoro após a emissão de uma espécie de grito de guerra, que é o motivo para a entrada de uma percussão agressiva, latejante, de timbres reminescentes de um Suicide do primeiro disco, ou de um Einstürzende Neubauten da melhor fase. Uma guitarrinha tímida e estalante, quase inaudível no princípio, cresce conforme pede a música. A partir daí inicia-se um coro pop que canta “hu-hu” até surgir a guitarra setentista de Souichiro Nakamura, irrompendo em solos delirantes. Eis que finalmente entram os vocais, evocando um Bobby Gillespie da fase Xtrmntr do Primal Scream. A faixa de abertura de Smile, novo disco do Boris, segue basicamente essa estrutura, e fornece todos os indícios para o ecletismo que virá a ser o álbum. É o avant-rock antitético do Boris, que ora é pop, ora é noise, ora experimental/psicodélico, ora eletrônico/industrial, ora japonês, ora anglo-saxão, e que é tudo, menos contraditório na sua funcionalidade. (Thiago Filardi)

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Volta e meia percebemos nos discos do Boris algumas faixas surpreendentes, inclassificáveis. Como esta “Message”, a primeira do novo álbum do grupo, Smile. Nela, ouvimos um ritmo tribal semelhante a um raggamuffin’, executado com sabe-se lá quais instrumentos improvisados… ouvimos um baixo estouradão, corinho estilo “Sympathy for the devil” (ooh ooh!), guitarras com uma distorção estridente, eventuais detalhes de percussão, um cow bell fortuito… Tudo em favor daquele clima propício à introdução de um álbum de metal, ou seja, clima de suspense, anúncio de algo terrível que está para acontecer. É certo que o metal pode ser considerado o fio de Ariadne que conduz ao som do grupo; no entanto, “Message” é mais uma prova de que sua música não se esgota nele. Afinal, Boris é mais uma banda sintomática de um tempo em que as obrigações para com estilo e gênero definham. (Bernardo Oliveira)

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Conheci o Boris há alguns anos, procurando coisas parecidas com Merzbow e baixando de um usuário do soulseek que basicamente tinha noise japonês. A diferença veio logo: apesar dos elementos de noise, e de muitos outros, eles fincavam o pé no metal e no speed rock como pontos de amparo. Mas quem ouve “Message” não identifica nada disso. Vê uma poderosa levada obsessiva, de rock industrial, bateria e graves eletrônicos pulsantes, uh-huh’s que parecem saídos de “Sympathy for the Devil”, e um dedilhado de guitarra que transparece lá pelo primeiro minuto. Lá pelos dois entra a guitarra pesada, depois a voz. Mas a faixa só me ganha definitivamente lá pelo quarto minuto, quando a bateria e as linhas de grave se transformam numa parede de barulho que ameaça transformar tudo em estática. Isso, definitivamente, é peso. E pressão. Mais ao fim, o equilíbrio original volta, os uh-huh’s também, mas depois da tempestade eles ficam, por comparação, quase brandos, cantilenas. Bela faixa, e belo cartão de apresentação para um disco. (Ruy Gardnier)

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Publicado em 14 de março de 2008 por em Uncategorized.
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