Camarilha dos Quatro

Revista de crítica musical.

Steve Reid – “Daxaar” (2007; Domino Records, Inglaterra)

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Steve Reid é um músico com uma trajetória incrível, tendo desempenhado sua parte como baterista de Miles Davis, Fela Kuti, James Brown, Freddie Hubbard, Archie Shepp, Sun Ra e Dionne Warwick, só para citar alguns. Mais recentemente, voltou a figurar nas notícias do universo do rock por seus projetos conjuntos com Kieran Hebden, aliás Four Tet. Mas não precisa saber de nada disso para ser seduzido violentamente logo que surge o groove de bateria com o riff de quatro notas do tecladista Boris Netsvetaev e os barulhinhos de Kieran Hebden. Eles formam a casa para a incursão dos outros instrumentos, em especial a percussão de Khadim Badji e a guitarra de Jimi Mbaye, que tem a honra de fazer o primeiro solo, discreto, integrado no som (tirando Hebden e Netsvetaev, os outros músicos são todos senegaleses). O segundo cabe ao trompetista Roger Ongolo, e se destaca mais, pelo volume e pelo timbre, da poderosa cozinha. Mas o destaque vai para o terceiro solo, de Boris Netsvetaev, que alterna entre momentos fluidos e digressões de uma nota, conseguindo manter o interesse quando faz uma coisa e outra. Quanto a Reid, ele mesmo não se dá seu momento sozinho no holofote, mas nem precisa: o coração da faixa é essa pulsação de bumbo e contratempo que, tirando algumas pouquíssimas viradas de bateria, se repete a faixa inteira. E vicia, inevitavelmente. Soberbo. (Ruy Gardnier)

* # *

Não deve ser nada fácil para um músico que já tocou com John Coltrane, James Brown e Fela Kuti chegar aos 60 e poucos anos e ainda encontrar forças para trilhar novos caminhos. O disco Spirit Walk, de 2005 e, depois, a parceria com Kieran Hebden nas Exchange Sessions e em Tongues, testemunhavam a continuidade do vigor criativo e do fôlego deste baterista genial. Assim como John Lennon recorreu ao bom e velho rock’n’roll quando se encontrava em dias de “Ronaldo Fenômeno”, quando a idade e a fama começaram a pesar, Steve Reid convocou os amigos e tentou reencontrar as pistas no exercício pleno da brincadeira. A delícia deste Daxaar reside na descontração das faixas, que atinge seu máximo na faixa título. O hammond sustenta, intermitente, uma nota mais ou menos fixa; a bateria segue a melodia monocórdia, delineando um ritmo contínuo, progressivo, conduzindo (ou ao menos convidando) o ouvinte ao transe, prática na qual Steve se especializou ao longo de sua trajetória repleta de proezas. No fim das contas, a faixa eclode em êxtase… Imagino que tanto para o ouvinte, como para Steve e seus amigos. (Bernardo Oliveira)

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Publicado em 28 de março de 2008 por em Uncategorized.
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