Camarilha dos Quatro

Revista de crítica musical.

Lullatone – “The Bathtime Beat” (2008; Someone Good, Austrália)

Lullatone

Já ouvi referência a certo tipo de música minimalista como música para crianças, para ninar, fazer dormir, lullabies para os que usam o inglês – sempre com certa maldade. Também um certo tipo de música pop cercada de arranjos delicados, em especial uma vertente do J-Pop é acusada/celebrada pelos mesmos motivos.

Levando ou não isso em conta, a música do Lullatone é minimalista ao extremo, tons de lullabies, como nome sugere. Tudo é muito baixinho, o vocal é sussurrado, os instrumentos são ou parecem ser de brinquedo. Na faixa “The Bathtime Beat”, a mais interessantes do novo disco deles, a idéia de fazer um beat da hora do banho se reflete no uso de pancadinhas na água – sons de infância. E a música deles é isto, pequenas brincadeiras e por que não, pequenas experimentações que procuram o idioma das coisas infantis, tolas, pueris para criar sons singelos, delicados e agradáveis, tudo muito conceitual, ora bolas! Não espanta que seu último disco tenha sido lançado por um selo ligado ao venerado Room 40, plataforma de grandes experimentadores. No lugar de buscar dissonâncias, timbres estranhos: o experimento é para suavizar ao extremo.

Claro que muita gente vai riscar a possibilidade de curtir algo deste tipo, pois a música é algo sério e é melhor ouvir, argh, o Interpol. (Marcus Martins)

* # *

Os japoneses sempre tiveram fascinação pelo universo infanto-juvenil. Tanto nas programações visuais, como na produção de filmes e desenhos animados, revelam uma afinidade não só pela delicadeza da infância e da miniatura, mas também pela brincadeira, pelo jogo, pelo gadget – isso visto por um ocidental latino-americano, claro. Em “The Bathtime Beat”, a dupla japonesa Lullatone leva esse fascínio às raias do deboche. Afinal, o que esta faixa representa se não um gadget adorável? Nela, a voz adocicada de Yoshimi Tomida, os instrumentos de brinquedo, e, no final, uma jogada muito interessante explorando a sonoridade da água, demonstram o talento do Lullatone para selecionar os timbres e ritmos em conformidade com seus mais explícitos propósitos. (Bernardo Oliveira)

* # *

Claro está que o Lullatone quer cativar pela fofura um tanto regressiva das melodias infantis, no que remete de cara a um CocoRosie tal qual fosse filtrado por um grupo como o Pizzicato Five em seus anseios de ser cool. Mas é aí que a porca torce o rabo, porque em seus momentos mais fortes a dupla de meninas do CocoRosie, em seu cortejo de instrumentos e vocais que remetem à infância, buscam um tipo de vulnerabilidade e sentimento muito pessoais. “The Bathtime Beat” é até curioso, mas não consegue ultrapassar os limites da sacação, de algumas idéias espertinhas como modular um sample de mãozinha batendo na água ou de criar um charminho pela vozinha dengosa e semi sexy da vocalista. Mas sacação por si só pode até ser design, mas jamais arte. (Ruy Gardnier)

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Publicado em 27 de abril de 2008 por em Uncategorized.
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