Camarilha dos Quatro

Revista de crítica musical.

Iva Zanicchi – “La riva bianca, la riva nera” (1971; RIFI, Itália)

Iva Zanicchi

Três milhões de compactos vendidos ao redor do mundo, canção contra a guerra: dois homens abatidos em batalha conversam entre si, um soldado e um capitão, os dois de lados opostos do combate que no entanto morrerão lado a lado, pra o ouvinte pasmo para uma situação que abritrariamente separa em dois lados pessoas com muito em comum. Mas eu não sabia de nada disso quando ouvi “La riva bianca, la riva nera” pela primeira vez, já há alguns anos. O que me cativou foi a veemência épica do coro que auxilia a cantora em cada segunda parte das estrofes, o violão ao lado da orquestra discreta, e, claro, a emotividade beirando a grandiloqüência de Iva Zanicchi, que no entanto consegue manter uma dramaticidade distanciada, uma dureza de coro grego ao presenciar e cantar a penúria humana. A notar a incrível coesão do arranjo, que consegue dosar momentos de calma e extravazamento com uma economia impecável, recorrendo a uma gaita solitária ou  ao “uh-uh-uh” grave quando precisa de pausas, e a espasmos de vozes quando precisa de intensidade. Resulta um hino, que talvez dos italianos em beleza só se possa comparar às mais belas versões de “Bella ciao”. Obrigatório a todos que gostam de música folk, ainda que a cantora naquele momento estivesse mais interessada na música negra americana, regravando Solomon Burke e Ike Turner. “La riva bianca, la riva nera”, por si só, já faz de Iva Zanicchi um mito. (Ruy Gardnier)

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Publicado em 16 de maio de 2008 por em Uncategorized.
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