Camarilha dos Quatro

Revista de crítica musical.

Mi Ami – “African Rhythms” (2008; White Denim, EUA)

Mi Ami é um projeto de Daniel Martin-McCormick (vocalista/guitarrista), Jacob Long (baixista) e Damon Palermo (baterista), sendo que os dois primeiros são ex-integrantes da banda Black Eyes. O som do Mi Ami tem suas raízes semelhantes as do Black Eyes, é o resultado do trabalho de músicos muito mais amadurecidos, talvez, entre outras coisas, das experiências realizadas por Martin-McCormick, no interstício entre uma banda e outra, quando enveredou por sons mais abstratos, chegando a flertar com o dub e o techno, que, se não se faz ouvir como influência, informa o modo de organização rítmica das faixas, o mesmo pode ser dito quanto a seus estudos de composição clássica.

“African rhythms” é a primeira faixa do primeiro lançamento oficial da banda, um vinil de sete polegadas com três faixas. Se não deixa de conter ritmos africanos, a riqueza da faixa estar em saber unir uma série de elementos, da já mencionada matriz africana (e no lugar de trabalhar esta matriz como ‘homenagem’ ou ‘canibalismo’, preferem apenas tratar de uma possibilidade sonora inserida nas tantas que compõem uma leitura possível de sua forma de compor) com inflexões do pós-punk e do noise contemporâneo mais abstrato. A bateria é seca e precisa e sua junção às linhas de guitarra e baixo bem marcadas – simples e matadoras – fazendo eco tanto às suas influências do rock quanto do techno. Cheguei a ouvir alguma comparação ao Animal Collective, mas a idéia é completamente despropositada, apesar da base “tribal” e dos vocais gritados, as semelhanças são quase inexistentes e onde os AC buscam agregar as mais díspares possibilidades sonoras, o Mi Ami trabalha com a limitação de material e um som menos denso. Na verdade, em busca de comparações, teríamos um Liars com menor alcance, tanto em termos experimentais, quanto em composições – e claro, sem a presença magnética de Angus Andrew.

Vale o aviso de que esta faixa não resume o alcance do som do Mi Ami, que no sete polegadas em que a faixa está inclusa, conta com mais duas faixas que apresentam facetas diversas, uma de maior agressividade e outra com produção bem marcada pelo dub e por pequenas intervenções eletrônicas, que demonstram o interesse da banda, ou pelo menos o de Martin-McCormick, por uma gama variada de estilos, sem que tenham a necessidade de empilhar todos em uma mesma faixa.

A faixa é nervosa e dançante sem deixar de apresentar elementos que sugiram a necessidade de audições repetidas para melhor captar suas nuances e variações; qualidades suficientes para contagiar e fazer aguardar, com ansiedade, o vindouro álbum de estréia. (Marcus Martins)

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Publicado em 25 de maio de 2008 por em Uncategorized.
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