Camarilha dos Quatro

Revista de crítica musical.

Erykah Badu – “The Healer” (2008; Motown, EUA)

Comparações com Bilie Holiday; elogios laudatórios; grande nome do neo-soul que dominava as atenções por volta de 2000; dois disco bem sucedidos( Baduizm de ’97 e Mama’s Gun de ’00), boas relações com alguns dos melhores nomes da música negra americana – nada disso serviu para impedir que Erykah Badu, depois de ter um filho e parecer confusa com os rumos de sua carreira (chegando a nomear uma de suas turnês como Frustrated Artist Tour, meio que desaparecesse, ou pelo menos perdesse relevância no panorama da música contemporânea; lançou um disco confuso, Worldwide Underground, que praticamente foi ignorado. Quando ninguém esperava mais nada da mais talentosa cantora negra da ultima década, eis que cerca por ótimos produtores, ela volta em 2008 com um disco ambicioso e bem sucedido. Apesar da qualidade de quase todo o disco, as duas faixas produzidas pelo beatmaster Madlib são o destaque, e ‘The Healer’, uma entre muitas homenagens ao saudoso Jay Dilla, é um dos pontos altos do disco.

Como se quisesse refletir as letras Madlib submerge a faixa, mas permite que a luz penetre com uma batida limpa, em meio a efeitos surpreendentes, pequenos detalhes de percussão, uso de instrumentos pouco usuais e alguns samples que acrescentam textura á produção calcada no dub como poucos sabem fazer.

Não há muito o que dar por falta aqui, Badu recuperou sua confiança e Madlib faz uma de suas melhores produções em algum tempo (ele andava meio perdido entre tantos projetos, sem foco – fumaça demais?). Badu faz voz de neném enquanto canta sobre rastafári, a supremacia do hip-hop sobre religião e governo e algo entre morte e redescoberta espiritual… e mais tantos temas desconexos, exercício de associações livres ou comentários que passaram por sua cabeça naquele momento – mas na verdade o que ela canta se torna irrelevante ante como tal amontoado é cantado. Tudo parecia conspirar para um festival de indulgência para permiti-la exibir seus dotes vocais, mas que nada, temos dois artistas no auge de sua forma. Badu assumiu seu lado mãe terra, sem que misticismo deixe de remeter a algo que lhe é urgente; ela parece realmente procurar algum tipo de cura, algo que envolve ficar chapado e ser batizado – legal, tô nessa. (Marcus Martins)

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Publicado em 31 de maio de 2008 por em Uncategorized.
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