Camarilha dos Quatro

Revista de crítica musical.

Lil Wayne – “Shoot Me Down” (2008; Cash Money / Universal, EUA)

Se contarmos apenas com os lançamentos “oficiais”, Lil Wayne conta com apenas seis álbuns, mas se aí incluirmos todas as mixtapes, este número se aumenta suficientemente para Lil Wayne ter trabalhos o suficiente para falar em obra. Daí é que surge o maior problema de seu The Carter III; o álbum não traz muita novidade, tratando-se mais de um polimento do que ele vem apresentando nas mixtapes desde 2005. Para este resultado, Wayne cercou-se de um exército de produtores renomados: Scott Storch, Kanye West, Just Blaze, T-Pain, Swizz Beatz, entre outros. E são os produtores que conseguem manter as faixas amarradas e permitindo a Lil Wayne desfiar seus nonsenses com a costumeira habilidade (é verdadeiramente impossível dizer do que ele trata em algumas das faixas), sem que o resultado seja obtuso ou exotérico.

“Shoot Me Down” é um desses paradoxos, ao mesmo tempo em que ele versa sobre sua grandeza, riqueza e que é quente como sauna (there’s a reminder / i aint kinda hot i’m sauna / i sweat money and the bank is my shower / haha and that pistol is my towel), no refrão quase emo, ele parece mostrar uma fragilidade impensável quando no restante da faixa ele solta coisas como “and if you shootin for the stars than just shoot me / but your bullets dont reach mars / pause. clause. because ima a beast ima dog ill getcha“. Talvez isso seja uma das possíveis explicações para a tensão que percorre o álbum, mesmo em seus momentos mais pedestres e levando em conta que esta nem é a melhor faixa do álbum, apenas podemos ficar tranquilos que Lil Wayne provavelmente nunca vai realizar um grande álbum como Illmatic ou Ready to Die, mas terá obra suficiente para ser citado ao lado dos maiores, como ele mesmo clama.

A produção de D. Smith é precisa e eficiente – tudo o que Wayne precisa – beat seco para acompanhar a guitarra bem afeita a trilhas sonoras de westerns. Lil Wayne é dos mais insanos pistoleiros que a parada da Billboard vê em muito tempo; o que não há de incomodar ninguém da indústria, visto que em uma época em que ninguém vende quase nada, a velocidade em que ele ultrapassou a barreira do milhão de discos vendidos é suficiente para lhe permitir que ele faça o que quiser, sem precisar se transformar em 50 Cent ou Usher. Porém o que mais pode incomodar a grande indústria é que suas vendas ocorrem, apesar do incessante número de mixtapes e versões de seus álbuns que flutuam pela internet, apenas fomentando o interesse de sua base de fãs e aparentemente angariando incessantemente novos seguidores. (Marcus Martins)

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Publicado às 28 de junho de 2008 por em Uncategorized e marcado , , .
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