Camarilha dos Quatro

Revista de crítica musical.

Dusk + Blackdown – Margins Music (2008; Keysound Records, Reino Unido)

Martin “Blackdown” Clarke é produtor, colunista do site Pitchfork Media e owner de um dos blogs de ponta dentro do dubstep. Dusk é Dan Frampton, jovem produtor. Juntos, formam o duo Dusk + Blackdown, que vêm lançando singles de forma esporádica desde 2005. Margins Music é o primeiro álbum da dupla. (BO)

* # *

É possível fazer política através da música? Ou a música, como expressão da cultura, é política por natureza? E hoje, será que ainda se acredita que um solo de guitarra pode mudar o mundo? Ou esta forma caricatural vem sendo substituída por uma micropolítica da criacão e da comunicação? E mesmo essa revolução silenciosa, na esteira da evolução digital, como se desvinculará das dinâmicas nefastas do capital?

Não é raro hoje (como eu acredito que nunca foi) flagrarmos verdadeiras “aberrações” psicológicas criando as sínteses culturais mais inusitadas: são etnológos que se interessam por eletro-acústica, engenheiros civis peritos em tiro ao alvo, dançarinos que, desempregados, se tornam DJ’s… todos produzindo, embora nem sempre aplicando ao seu trabalho somente as técnicas e teorias concernentes a ele, muitas vezes esquematizando-o a partir de outras formas e linguagens. Há também a apropriação e sobreposição de uma disciplina sobre a técnica, e vice-versa, ambas trocando não somente suas informações específicas, como também certos esquemas de pensamento como, por exemplo, quando se utilizam métodos da matemática para criar música, ou quando alguns americanos recriam as técnicas de djing dos jamaicanos, imprimindo-lhes outra dinâmica. Podemos considerar ainda a mistura de diversos contextos nacionais, reforçados pelo convívio social e pela imigração, mas insuficientes como representação, visto que num mesmo contexto nacional se observam muitas tendências e modalidades. Ou ainda o modo como certos compositores eruditos se apropriam de técnicas do universo popular e vice-versa… Em todos esses exemplos, há um elemento estranho, que certamente se intensifica a cada dia com o aperfeiçoamento e barateamento dos aparelhos digitais e, sobretudo, com o acesso ilimitado à informação que a internet propicia. Este estranhamento está relacionado com as afinidades entre estruturas de saber e de poder que se cristalizaram na camisa de força do estado-nacão. Sempre rezou o “bom senso” a regra recém-popularizada “cada um no seu quadrado”. E quem há de negar que a unidade do saber garante a unidade do poder? Se cada um se mantém adequado à sua função, quem poderia descuidar da agenda, quem negaria o poder? Mas isso não ocorre, pois os territórios estão se volatilizando, o que não quer dizer absolutamente que haverá terra para todos. De forma que a guerra está ai, e tem a forma da ordem moderna: é preciso constituir elos cada vez mais prolíficos, alianças que intensifiquem a horizontalização do saber e o conseqüente estímulo à tolerância. O etnocentrismo e a reproducão mecânica do capital andam de mãos dadas e se baseiam no estranhamento. É possível que, nesse contexto, política e música andem de mãos dadas, mas obviamente dentro de limitações muito específicas.

A foto da capa de Margins Music me chamou atenção porque são claras as intenções críticas e políticas do álbum: as calçadas de Londres, as diversas frutas e legumes que estão ali, dispostas e misturadas… Blackdown vêm há tempos, através de seu blog, insistindo na tecla de uma música londrina total, isto é, que representasse a heterogeneidade étnica de Londres. A mistura musical e cultural não atinge o parlamento, mas ao menos evidencia os refluxos coloniais e sua influência estranhamente benéfica, embora nem sempre oficializada, nem sempre disseminada pela imprensa. Ou melhor, muitas vezes oficializada, mas não efetivamente praticada. Semelhante a um sociólogo do terceiro mundo, Clarke afirma, a respeito do contexto social londrino que “nada ilustra o abismo entre os que crescem em condições desprivilegiadas e aqueles poucos habilitados para alterar as coisas, daí o tosco, ofensivo modo com que a imprensa mainstream se apropria de algumas frases feitas e as utiliza para derrubar as pessoas”. Neste contexto a informação, a mídia, representa um elemento fundamental no acirramento das relações políticas e culturais, e detém assim um papel político importante. Tão importante quanto o papel que a música pode e deve desempenhar, e não só ela: quanto mais se misturam as informações, quanto mais projetamos um saber sobre o outro, diversificando a comunicação e produção da “verdade”, mais condições se criam para relativizar o discurso liberal e racista veiculado pela imprensa institucional.

Martin Clarke é jornalista e trata desses assuntos em seu blog, além de tecer considerações acerca do caráter revolucionário do dubstep. Com seu parceiro Dusk, criou um álbum cujo caráter político reside na incorporação de certas tendências que haviam sido recalcadas pelo jungle em favor não sei bem do quê. Me refiro à presença do raggamuffin e da música oriental, particularmente do bangra, que aos poucos foi sendo inexplicavelmente substituída pelo peso rock’n’roll de projetos reacionários, como o Pendullum. Assim como na música de Shackleton, em que preponderam os ritmos e timbres orgânicos e multitonais dos ragas indianos, Margins Music traz esses elementos como parte própria dinâmica do álbum. A começar pela incrível presença de Farrah, uma cantora descoberta por Clarke através de seu blog, que desenha belíssimas escalas indianas sobre as batidas alucinadas da dupla. Muitas são as faixas em que o bangra, as cítaras e tablas dos ragas são sintetizados à malícia soturna do dubstep, além, claro, da presença grime de Durrty Goodz e Trim, respectivamente nas faixas “Concrete streets” e “The Bits”. Note-se também o talento de D&B no desenvolvimento das texturas, como por exemplo na balbúrdia sonora de “Rolling Raj Deep”, na inominável “Kuri Pataka” e nas ambiências de “Darker than East”. Aliás, uma das formas utilizadas pela dupla para reportar à micropolítica das ruas, é a manipulação criativa das ambiências sonoras, através de keysounds de estações de rádio e da chuva, como eles já haviam realizado em “Drenched”, de 2005. Ressalto também a dobradinha final, formada pela desafiadora (e shackletoniana) “The Drumz of Nagano” e pelo techno safado, porém bacana, “Focus”. Margins music: a “música da calçada”, mas também da “margem”, das lojas, feiras, vielas, das relações interpessoais, etc.. Uma miríade sonora apta a evocar uma humanidade suprema, senhora e apreciadora de suas diferenças. Eu disse: simplesmente “evoca”…

Será que a boa intenção basta para sustentar todo o discurso ideológico que subjaz às propostas musicais feitas pela dupla? Será que a pujança criativa da síntese é capaz de estimular uma dinâmica social sintética? Como expressão de uma perspectiva, Margins Music é um dos discos de dubstep mais originais até agora, mas sua limitação está aí: ao exprimir seu conteúdo como uma perspectiva e abrir o diálogo pelo canal do prazer, o disco reflete a tendência a que me referi no início, de estabelecer outras forma de “sentir” o caráter político que inunda a vida urbana. O método é o cruzamento horizontal entre diferentes técnicas, saberes, etnias… Embora não intervenha diretamente na política institucional, a música e, especificamente, Margins Music, têm o poder de despertar esse sentimento, político até a medula. (Bernardo Oliveira)

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Um álbum como Margins Music cria expectativa. Martin Clarke, o Blackdown, é das vozes mais respeitadas da “cena” dubstep. Isso foi conseguido pela produção de alguns disquinhos lançados com seu parceiro Dusk e também por seu trabalho jornalístico e crítico como colaborador do site Pitchfork Media e em seu blog, que não apenas informa sobre os lançamentos mais quentes como pensa sobre as possibilidades do meio e o resultado do esforço dos artistas. Apesar de não poder dizer que Martin tem uma agenda do que deve possuir uma produção bem sucedida, é evidente que ele sabe o que quer. Aliás, ele é dos que melhor analisou aquilo que Simon Reynolds chamou de ‘zone of fruitless intensification‘, com a frenética busca de alguns produtores pelo baixo mais pesado, pela batida mais acelerada (chegando a 145BPMs), esquecendo que, em primeiro lugar, fez o interesse pela música por eles produzida. Assim,como o crítico pode ter um padrão alto de exigência com o que ouve, a cobrança por uma aventura sua na outra margem do rio é cercada de suspense. Os EPs lançados nos últimos anos já davam pistas das preferências adotadas por ele e por Dan Frampton, mas ainda faltava algo mais substancioso. Eis que temos nas mãos Margins Music, tanto uma resposta a estas expectativas quanto uma tentativa de apontar caminhos. Verdade seja dita que tais caminhos são verdadeiros para a trajetória da dupla, não servindo como regra necessária, e mesmo ele exalta em muitas oportunidades o trabalho dos produtores que trabalham por trajetórias opostas. “Of those making dark beats in London, the only single factor that united everyone was their London surroundings” são palavras de Clarke.

Tratando do disco, o título explicita e o conteúdo não trai: estamos diante de música periférica, coisa que o dubstep nunca deixou de ser, mesmo com o micro sucesso do Burial e os flertes com o techno. E as fontes da dupla também são marginais. O disco parece nos convidar para um passeio pelos arredores de Londres com sua extensa comunidade negra (americana, caribenha), hindu, oriental, etc; tudo evolvido pelos tais dark beats que nunca se repetem e sempre são contundentes. Aqui poderíamos apontar a riqueza e os problemas do disco: tanta diversidade proporciona um colorido raro no dubstep (superior ao conseguido por luminares como Pinch e The Bug em discos recentes), mas também perde o foco em outros momentos. Seria como se em um tour londrino passássemos por tantos lugares em um meio-dia que terminamos a jornada exaustos e com as lembranças borradas. O efeito de tal dispersão não é maior porque, apesar  da polifonia incessante, a produção é sempre cristalina – o que poderia justificar a pequena derrapada, como retirar elementos quando nenhum deles é essencialmente ruim. A ansiedade em dizer tudo logo de saída pode deixar surdo quem se dispôs a ouvir.

O disco começa com “Darker Than East” produzida a partir de uma entrevista com a “gangue” da Roll Deep para um programa de rádio pirata que dá o tom do álbum e diz muito sobre o lugar de onde Martin Clarke veio. É o cartão de visitas que abre o disco com uma das melhores produções do ano e cria toda a tensão que dominará o álbum apesar de suas inúmeras mutações. “Darker Than East” é intensa por conseguir transmitir a energia de diversas pessoas com desejo de construir algo que seja condizente com aquilo que as cerca. E a produção dá conta de tal ímpeto ao reunir tantos elementos díspares de forma coesa e multiforme, como se quisessem dizer, “não há uma única coisa a dizer, há polifonia…” Em uma entrevista Clarke afirma: “I just wanted to find a way of getting a lot of the sound of London into tracks, blurring the line between journalism, music production, and documenting our surroundings“.

Dusk + Blackdown visitam diversas áreas de Londres e do vocabulário do dubstep e do grime, sem deixar de lado menções ao 2step e ao UK garage. Nas faixas 2 e 3, aparece a influência hindu, mas nunca deixamos Londres e a batida – a percussão é sempre agressiva e cortante. Nesses momentos e em vários outros no decorrer do álbum a dupla mostra uma forma própria de dialogar com formas musicais marginais como artistas como M.I.A. e o DJ/Rupture já vêm fazendo. Apenas valendo ressaltar que o uso disso em Margins Music é menos politicamente orientado que na obra destes dois artistas, aproximando-se do que um Shackleton fez em sua parte do Soundboy Punishments. Alinhando-se àquilo que o Massive Attack fazia lá no início dos anos 90, poderíamos até arriscar dizer que Londres finalmente encontrou legítimos herdeiros para a trupe da Wild Bunch, um reflexo preciso da geografia, em sua acepção ampla e uma grande habilidade em servir-se de influências diversas com perícia técnica e virtuosismo.

O fato é que temos vários discos em um, não havendo nem propriamente uma divisão nem unidade. Margins Music pode não ter o impacto do primeiro disco do Burial, mas faixas tão extraordinárias como “Darker Than East” e “Dis/East” apenas criam expectativas pelo que a dupla ainda poderá produzir (o fato de ambas as faixas terem sido produzidas por Blackdown é a prova de que o amadurecimento da dupla tende a render bons frutos).

Talvez a única faixa que realmente não agrade seja “The Bits” e menos pela produção que pelos tediosos vocais de Trim. A verdade é que as faixas onde o grime predomina não se sustentam diante do restante do álbum, não havendo nada aqui que ombreie a produção de um Wiley ou El-B, para citar uma influência forte muito citada por Clarke. O fato dos Mc’s não estarem no mesmo nível da produção pesa, em especial quando postas ao lado de faixas instrumentais com tanta pujança. Isso para não os comparar com os maravilhosos vocais de Farrah. Outra faixa que talvez não esteja no mesmo nível das demais é a final “The Focus” que foge um pouco do tom do disco com sua produção para pista e seu slogan bem maio de 68: “the resistence is very real“. Apenas aqui a música não alcança a meta de Clarke: “I’m not really interested in headspace music-floaty, hippie stuff”.On the other hand, when stuff is straight physical music it also tends to bore me. It needs to be both.

Margins Music é música urbana com inegável identificação geográfica com o local onde foi produzido, mas em inevitável comparação com o Burial, a obra de Dusk + Blackdown consiste de música muito mais ‘externa’, aberta a ruídos das ruas, polifônica e com mais senso de comunidade, enquanto Burial é resultado de ruminações muito mais internas e sentimentais, apesar da grande ressonância do ambiente londrino. Enfim, 2008 vai se marcando como o ano em que o dubstep se consolidou menos como gênero que como forma de produção volátil e vibrante e Margins Music é um de seus melhores exemplos. (Marcus Martins)

P.S.: As declarações de Martin Clarke foram retiradas de uma resenha publicada na revista XLR8R.

* # *

Londres é uma cidade que abriga as mais diversas culturas. Há quase meio século que os indianos e jamaicanos emigraram para lá e, desde então, suas tradições musicais passaram a fazer parte do cotidiano da cidade. O processo de integração não foi fácil e, até hoje, boa parte dos descendentes desses dois países reside em lugares distantes do centro metropolitano – ou melhor, nas margens. O sul e o leste são as regiões que tiveram maior ocupação pelos imigrantes e, portanto, são nestas áreas que seus filhos criaram raízes. Nestas mesmas áreas que se desenvolveram o reggae, o dancehall, o dub, o jungle e, mais recentemente, o dubstep, na capital inglesa. A música indiana, apesar de não ter exercido o mesmo impacto que a jamaicana, sempre se fez presente nas camadas mais recônditas da música produzida lá. Este Margins Music, ao menos, explora mais amplamente a música oriental. É um álbum que reúne todas as características da música londrina contemporânea e as mistura em um caldeirão regado de dubstep e grime.

“Música de margens”: é assim que os produtores Dusk e Blackdown, o último também conhecido como Martin Clark, jornalista e crítico, que possui, na Pitchfork, uma das colunas mais elucidativas sobre a cena dubstep/grime, definem sua obra. O que não falta são referências aos demais estilos musicais, tidos como marginais na cultura londrina. São gêneros que não habitam as rádios e não estão no iPod dos mauricinhos. Por mais que haja exceções, como o sucesso relativo de Wiley e seu upgrade para uma grande gravadora, o dubstep, o grime e a música indiana continuam relegados ao submundo, o que, de certa forma, lhes cede um pouco de charme.

Margins Music é provido quase que inteiramente de vocais. A convidada que se faz mais presente é Farrah, mas também há a participação de Trim, Target, Teji e Durrty Goodz. O álbum atira para todos os lados. Dusk e Blackdown não seguem uma determinada linha de produção e ora vagam por um território Hyperdub, com batidas inconstantes e canções atmosféricas; ora por outro mais assimilável aos artistas da Tectonic, com músicas regadas de sintetizadores e batidas mais diretas; ora por um terreno relativo ao DMZ, com percussão mais swingada, de forte influência do reggae e do dub de raiz; ora reverenciam a Skull Disco, com programações de bateria intricadas e polirítmicas; e ora até utilizam batidas pesadas do hiphop. “Kuri Pataka (The Firecracker Girl)”, por exemplo, possui uma freqüência de batidas com harmonias orientais ao fundo quase idênticas as de “9 Samurai” do Kode9. E por aí vai. Há, no entanto, um elemento que é comum a todos: o baixo extremamente grave e penetrante.

Os grandes momentos são vários, as climatizações em cada faixa são de tirar o chapéu, os vocais gravados estão excelentes (com exceção da já citada “Kuri Pataka”), o encadeamento entre as músicas é bem feito e todas as referências a culturas orientais estão bem trabalhadas e organizadas – não falta coesão a Margins Music. Os produtores carecem apenas de uma busca por unicidade, para, desse modo, firmar uma identidade mais própria e precisa. O caminho é o certo, todavia. Pode-se até dizer que é o melhor LP de dubstep a vir depois de Burial. (Thiago Filardi)

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Imagine um disco com faixas de baião, maracatu, jazz, samba, modinha, maxixe… e todos tendo como responsáveis os mesmos artistas. Traduzindo em termos nacionais, é um pouco a sensação que dá esse Margins Music, primeiro LP da dupla Dusk + Blackdown, já algo prolífica em singles. Temos aqui garage, dubstep, grime, drum’n’bass downtempo, bhangra, sons indianos e mesmo uma voz de japonês ao fim do disco. E, claro, registros de campo, a febre! (Será que o próximo disco de Madonna será todo de field recordings? É só o que falta). Toda essa opulência de manifestações musicais seria extremamente fastidiosa, até mesmo digna de suspeita, não fosse a enorme coerência do projeto de Dusk + Blackdown (que eu, sem ler blog nenhum, depreendi da simples audição, então perdoem superficialidade da exegese), de agregar as músicas de todas as margens londrinas, de todos os guetos étnicos e musicais da capital inglesa. “This Is London” é o nome de uma das músicas e cada pedacinho de Margins Music parece dizer isso o tempo todo. É a tentativa de traduzir uma cidade, ou pelo menos a parte marginal de uma cidade, em vocabulário musical.

E, ao menos no propósito conceitual, Margins Music é inteiramente bem-sucedido. Ele transmite uma sensação de urbanidade múltipla, algo suja, algo ameaçadora, algo soturna, algo agressiva, sempre climática. Mas é de se perguntar se os climas adquiridos num momento do disco não se perdem em outro, e se musicalmente as coisas se colam tão bem quanto conceitualmente. Indo direto aos exemplos, é estranho que o disco comece com um grime em homenagem à turma do Roll Deep e depois a gente só volte a ter grimers rapeando na metade do disco (as ótimas “Concrete Streets”, com Durrty Goodz, e sobretudo “The Bits”, com Trim). Depois, cítara reverberada e cantar feminino indiano sobre breakbeat em andamento lento: “Con/Fusion”. “Lata VIP”, a terceira, é talvez o maior destaque do disco: começa com efeitos de delay característicos do dub até se encontrar com um novo cantar feminino indiano e dessa vez um beat dubstep soberbo, com um som estridente de chocalho onde geralmente fica a marcação do contratempo. Seguem duas músicas que têm na influência indiana sua sonoridade mais forte, “Kuri Pataka” e “Rollin Raj Deep”, a primeira muito boa e a segunda infeliz na idéia e mais infeliz ainda em não conseguir variações musicais para a idéia. Ao fim, vamos ouvindo uma reiteração de procedimentos e percebemos que, apesar da qualidade geral do disco, não há nada que cada faixa separada faça melhor que outras do gênero (“Lata VIP” excluída), servindo um pouco apenas como “bons exemplares” da diversidade de gêneros. Isso fica claro no final, em que só “This Is London” mantém um clima mais denso e original. “Iqbal’s Groove” e “The Drumz of Nagano” são brekbeats downtempo sem maior inspiração e “Focus” pode até ser divertida, mas é apenas uma chupação de hardcore/garage circa 1992, que nada tem a ver com o clima destilado ao longo do disco, a não ser pela frase “The Resistance is very real”. Conceitualmente sim, musicalmente nem tanto. Mas fiquemos com a boa parte, porque é realmente muito boa. (Ruy Gardnier)

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2 comentários em “Dusk + Blackdown – Margins Music (2008; Keysound Records, Reino Unido)

  1. keep up the good work
    10 de setembro de 2008

    esse que é o bom da camarilha: no mesmo dia ter o prazer de (re)descobrir dorival caymmi e correr atrás de produtores ingleses.

  2. hghf
    19 de setembro de 2008

    zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

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Publicado às 9 de setembro de 2008 por em Uncategorized e marcado , , , , .
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