Camarilha dos Quatro

Revista de crítica musical.

Dungen – “Sätt Att Se” (2008; Subliminal Sounds, Suécia)

Quando começa “Sätt Att Se”, primeiro single de 4, o novo álbum do quarteto sueco, Dungen, com seus teclados esparsos, tensão harmônica à la jazz-rock, viradas de bateria e linha de baixo pausada, parece que estamos ouvindo alguma coisa do final dos anos 60 ou início dos 70. Pode ser Traffic, Pink Floyd, Caravan, Soft Machine, ou alguma outra banda com o pé no progressivo. Depois entra um solo de guitarra com fuzz e bem melódico, o que traz indicações de que pode ser alguma faixa perdida do A Wizard, a True Star do Todd Rundgren ou um lado B de um dico do Nazz, sua antiga banda, ou ainda um outtake do Da Capo do Love. No momento que entra a voz de Gustav Ejstes é corroborada a idéia de que o que se ouve é uma banda desconhecida de verve psicodélica-jazz-progressiva, com origens na Escandinávia lá pelos idos anos 60 e 70.

Talvez um fetiche, mas toda a obra do Dungen é calcada nessa referência explícita a um era gloriosa do rock. Em 4 eles adentraram ainda mais o território jazz-rock, com uso exacerbado de pianos e teclados com efeitos. Seja no timbre, na textura, nas harmonias, nas melodias da guitarra e voz, na estrutura das músicas, no uso de instrumentos de cordas e flautas – tudo na sonoridade desse grupo sueco remete a algo feito entre 1967 e 1974. Claro que essa característica priva sua música  de maior originalidade, mas, ao mesmo tempo, a mune de qualidades e indícios que completam um espectro sonoro ímpar e totalmente identificável. O zelo exagerado com timbres e texturas relativas à era psicodélica e progressiva, usando instrumentos e equipamentos da época, apenas reforça a idéia de que esta é uma banda de rock com preocupações formais além do comum – a idiossincrasia é tamanha que eles nomearam o disco novo de 4, apesar de ser o quinto da carreira. Mimetismo ou referencialismo? O que se tem, na verdade, é uma predisposição fora do normal para arranjos e composições de altos níveis melódico, harmônico e textural, que remontam a uma época sem estarem necessariamente atados a mesma. (Thiago Filardi)

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Publicado em 17 de outubro de 2008 por em Uncategorized.
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