Camarilha dos Quatro

Revista de crítica musical.

Joker – “Gully Brook Lane” (2008; Terrorhythm, Reino Unido)

joker

Ano passado a Camarilha falou nela antes que ela tivesse um nome. Em 2008 mesmo, no entanto, a onda ganhou um: wonky. Em suma, uma série de produtores britânicos apaixonados pelo imaginário hip-hop/r&b, e ao mesmo tempo fanáticos por um grave estouradaço, pela saturação de sintetizadores vintage e pela experimentação eletrônica de ponta do underground inglês. Já falamos de vários deles aqui: Rustie, Flying Lotus, Zomby (e ainda tem outros pra apresentar: Samiyam, Hudson Mohawke…). Mas de Joker, responsável por alguns dos mais fascinantes singles de 2008, ainda não falamos. Mas a hora é essa: aparecido em 2007 com um EP sem graça e grande personalidade, Kapsize, em 2008 Joker – pseudônimo para L. McLean – fez um split single com TRG (“Snake Eater”/”Move Dis”, nada significativo para nenhum dos dois) e lançou outros três singles, dois solo e um com participação de Rustie, “Play Doe”. São três das melhores coisas que se ouviu em 2008 sob a rubrica de wonky, e também a afirmação de um estilo que finalmente vem à tona. “Play Doe” tem a fascinação por riffs épicos de sintetizador saturado que já são assinatura de Joker, misturados com uma batida suingada certamente cortesia de Rustie, mas de todas essas seis a faixa acachapante do sujeito é “Gully Brook Lane” (não confundir com “Holly Brook Park”, faixa irmã e lado a do outro single decisivo do artista em 2008). A programação de bateria é toda feita com sons de teclado de churrascaria, e são eles que começam a faixa até vir o carnaval de sintetizadores sujos e cheios, um fazendo os graves, outro fazendo uma casa melódica de quatro notas e um, o mais especial, totalmente estridente, jogando um riff devastador  que acaba sendo o coração da música. O que mais espanta em “Gully Brook Lane” é que todas as sonoridades são pra lá de retrô, mas que a união delas todas e o senso de composição produzem algo definitivamente inaudito, sem remissão ao passado ainda que se alimente dele. Não fosse a excelência da faixa, que fala por si só, também caberia a recomendação como antídoto para todos esses cultores dos anos 80 que deram as caras em discos badalados do ano passado [por ironia, o lado b de “Holly Brook Lane” chama-se “80s”; mas que ninguém se engane, o feeling e o som não se parecem nada com os daquela década…]. (Ruy Gardnier)

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Publicado às 6 de fevereiro de 2009 por em eletrônica e marcado , .
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