Camarilha dos Quatro

Revista de crítica musical.

Boredoms – “Ant 10” (2009; Commmons, Japão)

boredoms

Os Boredoms são um mistério. Desconhecidos da grande maioria dos ouvintes, mesmo alguns que pesquisam, e totalmente idolatrados por aqueles que já tiveram o prazer de ouvir um de seus discos, os Boredoms fascinam pela imprevisibilidade extremamente bem-humorada de sua produção. Ainda que seja ancorada no acid rock/space rock, a sonoridade da banda é volátil e incorpora brincadeiras, noise, metal, eletrônica e demais experimentos à mistura. Excêntrica também é a produção da banda, soltando singles e eps, às vezes mesmo de forma inesperada, com foi esse Super Roots 10, nono (isso mesmo, pois não há o 4) exemplar da série de eps iniciada em 1994. Na verdade o ep se constitui de apenas uma faixa (isso se ignorarmos a ligeira “Super Rooy”, 38 segundos de um zumbido grave). É “Ant 10”, que além da versão original dos Boredoms ainda conta com quatro remixes (em especial um, primoroso, do já camarilhado Lindstrøm). “Ant 10” é um desses rockões alongados e transformados numa espécie de ritual. Seus motivos predominantes são uma toada longa e gritada de Yamatsuka Eye e um tecladinho cósmico que parece uma mistura de Acid Mothers Temple com a farofenta “Kernkraft 400” do Zombie Nation. Mas o que faz a faixa são as variações ao longo da duração, transformada num carnaval celebratório por uma Yoshimi fenomenal (dã, pra variar) na bateria, quebrando tudo e fornecendo um suingue contagiante e cheio ao som. Pulando todas as outras versões, o remix de Lindstrøm reconstrói tudo. Acrescenta, inclusive, flauta, trompete e voz gravados especificamente para a versão. Suas únicas fidelidades são à dinâmica de variação interna da faixa e à longa duração, o que cai como uma luva para o produtor escandinavo, que já mostrou com seu disco mais recente e com a versão apra “Mighty GIrl”, do Can, o que ele pode fazer com essas características. E ele faz de sua “Ant 10” um disco-Boredoms (onde o Boredoms só está láááá no fundo) que, se bobear, supera a original em originalidade (e sem dúvida em sutileza e construção). Ligação a princípio estranha, mas, depois que se pensa, extremamente apropriada, e que mostra que os Boredoms pensam menos pela proximidade de gêneros – afinal, qual é o gênero deles? – e mais pela concepção. Que o Super Roots 11 chegue logo. (Ruy Gardnier)

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Publicado às 6 de março de 2009 por em noise, rock e marcado .
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