Camarilha dos Quatro

Revista de crítica musical.

Burial / Four Tet – “Wolf Cub” (2009; Text, Reino Unido)

burial
Dois dos grandes expoentes da música contemporânea lançam um álbum de 12 polegadas, sem capa, com uma faixa de cada lado. As primeiras informações são imprecisas. Fala-se em um split, com cada um dos autores ocupando um dos lados. Mais tarde, outras fontes alegam trata-se de uma colaboração entre Burial e Kieran Hebden, versão que se confirmou recentemente. Lançado em quatro de maio deste ano pelo selo de Hebden, o Text, o EP “Moth/Wolf Cub” chamou atenção não somente pela aproximação entre seus autores, mas também pelo clima de mistério que rondou o lançamento. Não há capa, nem release, notas na imprensa, nada. Cautela, pois não se trata de acontecimento secundário. Se o hype em torno do álbum irrita um pouquinho, isso não deve desmerecer de forma alguma a audição. Apreensivo, aperto o play e, de saída, descarto “Moth”, a primeira faixa. Identifico imediatamente a vertente do trabalho de Hebden que menos gosto, a faceta techno de Ringer. Embora o bumbo abafado, um tanto quanto “borrado”, me pareça interessante e diga algo além dos baticum gratuito daquele álbum, a coisa desanda lá pelos cinco minutos, quando entram aqueles teclados suaves e vozes femininas que infestam o “house-copinho” das vernissages. Confesso que nesse momento a apreensão se tornou decepção e eu pouco esperava da faixa seguinte, “Wolf cub”. O que me aguardava?

Novamente, a chancela de Hebden é a primeira referência. Aqueles pianos singelamente esfacelados, tão característicos do trabalho do Four Tet, que podem ser escutados na belíssima “Hands”, desenham uma fina harmonia durante dois minutos e meio. Silêncio. Só então Burial dá o ar da graça, com aquela combinação de bumbo pesado com o aro de caixa seco que se tornou sua marca registrada. Aí, a faixa vira delírio, com Hebden repetindo marcialmente sua “kalimba digital” e Burial, por sua vez, adicionando parcimoniosamete os teclados e vozes comuns em seus dois discos. Noto entretanto que a batida desta vez desenha sobre o andamento 4/4 alguns deslocamentos rítmicos que, me parece, constituem novidade em seu trabalho.

Se “Moth” desaponta por apresentar uma inflexão pálida do trabalho de Hebden, “Wolf cub” ao menos indica um caminho sintético e, por isso, empolga. Por enquanto o jogo está meio a meio; resta a nós, fãs do trabalho de ambos os autores, aguardarmos os desdobramentos desta parceria. (Bernardo Oliveira)

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Publicado às 8 de maio de 2009 por em Uncategorized e marcado , , , , , , .
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