Camarilha dos Quatro

Revista de crítica musical.

Bullion – “Young Heartache” (2009; One-Handed Music, Reino Unido)

Bullion é Nathan Jenkins, produtor londrino que apareceu pela primeira vez em 2007 fazendo um pequeno disco de título engraçadinho que já explica tudo: Pet Sounds: In the Key of Dee. Pois é. Sabe quando vazaram os canais separados do Black Album de Jay-Z e surgiram uma infinidade de discos misturando Jay-Z com Beatles (Grey Album, cortesia do hoje famoso Danger Mouse), Pavement (Slack Album, do permanentemente desconhecido DJ N-Wee) e outros? Então, o sujeito juntou J. Dilla com Beach Boys. Mas, afora a curiosidade, o feito não tem nada de muito memorável. “Get Familiar”, single surgido em 2008 na gravadora One-Handed Music, foi o que colocou ele no mapa. Não que a faixa, também, seja um enorme destaque. Ela tem a mesma batida de hip-hop desconstruído, meio Dilla meio Prefuse 73 que faz a alegria de Flying Lotus, Hudson Mohawke, Ras G, Nosaj Thing, do próprio Paul White e toda essa turminha recente, com alguns esguichos melódicos interessantes, mas nada muito além. Se Bullion ganha esse textinho na Camarilha é por causa de duas belas faixas constantes de Young Heartache EP, lançado pela One-Handed em março. “Time For Us All To Love” e principalmente “Young Heartache” já são o começo de um caminho próprio e instigante. “Young Heartache” certamente ainda bebe muito dos beats letárgicos à la Prefuse/Lotus, mas ancora-os com loops adocicados que ficam algo selvagens pela repetição (no que lembra, ao menos um pouco, as colagens do Black Dice em “Chocolate Cherry” e Eric Copeland em “Alien in a Garbage Dump”) e com passagens de acordes que mais parecem modulação de ruído branco. A música, no fundo, é fácil de definir, mas a precisão e o senso de variação de Jenkins tornam a audição um prodígio de fluência e vivacidade. Parece, no fundo, uma faixa do Vocal Studies + Uprock Narratives, o primeiro álbum do Prefuse 73, filtrada por uma sensibilidade pop-resplandescente digna de um Panda Bear em seus momentos mais calorosos (“Comfy in Nautica”, “Bro’s”, por exemplo). É isso: Paul White pode ainda não ter achado seu diferencial como artista, mas como dono de selo, conseguiu lançar dois dos 12” mais interessantes de 2009: Young Heartache, do Bullion, e Smartbanging do Fulgeance. As faixas variam em qualidade, mas apontam para duas enormes promessas que podem aflorar em artistas maiores a qualquer momento. Por enquanto, fiquemos com as faixas-título de cada EP, porque certamente são grandes instantes musicais do ano que se acaba. (Ruy Gardnier)

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Publicado às 19 de dezembro de 2009 por em Uncategorized e marcado , , .
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