Camarilha dos Quatro

Revista de crítica musical.

Ao Vivo: Grizzly Bear (16/04/2010, Coachella, Indio)

Uma dezena de minutos antes do horário previsto, o Grizzly Bear já se encontrava no palco, passando o som junto com a equipe técnica. Cada membro do grupo alternava atenção às questões técnicas com discretos acenos, simpáticos aos urros da platéia agitadíssima que se aglomerava diante do palco. Alguém ao meu lado lembrou que a banda não tinha hit dançante, não eram grandes pop stars daqueles célebres por fofocas, veleidades e anedotas sórdidas. Sem dúvida, trata-se de uma banda que prima pela simplicidade, avessa às palhaçadas do show business, não obstante o clima na tenda Mojave do Coachella fosse o de uma celebração quase que sagrada, de inquieta devoção e ansiedade. E não era para menos, provavelmente muitos ali já haviam presenciado esta experiência, alguns até mais de uma vez. Incauto, me dirigi ao Mojave esperando qualquer coisa: como eles se comportariam no palco? Como reproduziriam aquelas sutilezas, aquelas texturas vocais e instrumentais inacreditáveis, com qual música abririam o set? Eu também estava ansioso, mas ao contrário das quase quinze mil pessoas ali presentes, não tinha a mínima idéia do que ocorreria.

O grupo entrou pontualmente, e não é exagero dizer que o fizeram sob gritos e aplausos alucinados. Os acordes iniciais de “Southern Point” ressoaram pelo ambiente enquanto a gritaria continuava, beirando a histeria. E aí tudo começou a fazer sentido: a banda tem um punch incrível e é tão ou mais extraordinária ao vivo que em estúdio. Cada detalhe das faixas originais é como que multiplicado não só pela excelência da execução, como também pelo acréscimo de interpretação e improvisos sutis. Dois detalhes sobressaem de cara. Primeiro, Daniel Rossen: como é bonito vê-lo tocando! Empunhando ora uma Gibson SG, ora uma Gibson semi acústica, Rossen desempenha com simplicidade aquelas sequências de acordes que, em disco, parecem turbinadas por efeitos e compreessões. Depois, a precisão com que cada um dos quatro membros desempenha suas funções vocais, ora em coro, ora individualmente. A sequência com “Cheerleader e a impressionante “Lullabye”, talvez a música mais empolgante do show, confirma que o Grizzly Bear é, antes de mais nada, uma banda de shows. Permitam-me dizer que a faceta disco é apenas um mostruário do que eles podem fazer ao vivo. Parece exagero, mas definitivamente não é.

O que dizer então de “I Live with You” (momento noise, catártico), “Ready, Able” e a faixa de encerramento, “On a Neck, on a Spit”? Nada mais, apenas um silêncio embasbacado e a certeza de que assisti um dos shows mais impressionantes disponíveis na praça. Inclusive esta é a opinião de Jay-Z, uma das atrações do dia e que, como eu, deve ter ficado contemplativo, se perguntando que diabos se passa pela cabeça desses caras… (Bernardo Oliveira)

Set List
“Southern Point”
“Cheerleader”
“Lullabye”
“Knife”
“Fine for Now”
“Two Weeks”
“Ready, Able”
“I Live with You”
“While You Wait for the Others”
“On a Neck, on a Spit”

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Publicado às 17 de abril de 2010 por em ao vivo, folk, rock e marcado , .
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