Camarilha dos Quatro

Revista de crítica musical.

Ao Vivo: Major Lazer (17/04/2010, Coachella, Indio)

Diplo, farofeiro de primeira, pesquisador de ritmos do primeiro, do segundo e do terceiro mundos, plenamente ambientado em cidades como Rio de Janeiros, Kingston e Londres. Junto com seu parceiro Switch, ele é capaz de ir do mash up funkeiro ao bangra e à soca, bem como a ritmos como trance e o famigerado “poperô”. O que ele deseja? Prosseguir sua cruzada em prol do lema “we party every day”. É esta inclusive uma das frases mais repetidas durante a apresentação completamente alucinada do Major Lazer. “We party every day”, grita em coro o público em estado de transe anfetamínico, pronto a dar a largada bem antes da corrida começar. Aí, compreendo tudo: Diplo vocaliza uma cultura da festa que vem crescendo enormemente em todo o mundo, e que tem por ritmo oficial o trance e seus derivados. Mas ele adiciona o molho de sua pesquisa sobre o “poperô”, ele inclui faixas de reggae da antiga, ele retorna ao funk, ao disco, e coloca todo mundo para dançar. “We party every day”, e como!? Durante uma hora o Major Lazer balançou as estruturas do palco Mojave, com uma música pobre, porém muito bem executada. Eu, que me flagro em breves devaneios em situações de aglomeração popular, me fiz a seguinte pergunta: qual seria o estímulo secreto que uma aprersentacão musical inexpressiva como esta pode carregar? Como ela atrai mesmo aquele que não deseja estar ali, mesmo aquele, como eu, que não admira tanto assim o trabalho? A resposta é simples. Diplo e Switch, junto a seus MCs (Vybz Kartel, se não me engano), manejam com maestria a técnica desta ideologia positiva que a cada dia se alastra com mais força sobre a juventude: “we party every day”! E quando essa questão é o que importa, nada mais importa. E retornei do meu devaneio certo de que o melhor a fazer ali era pular junto, pular muito e tentar entender que, pelo menos naquela hora, os únicos elementos que importavam eram a exuberância, a dança, a festa, a sacanagem, as drogas, a mistura racial, a promiscuidade, o amor vazio e passageiro… Impressionante, nada mais. (Bernardo Oliveira)

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Publicado às 18 de abril de 2010 por em ao vivo, Uncategorized e marcado , , , .
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