Camarilha dos Quatro

Revista de crítica musical.

Ao vivo: PIL (09/05/2010, Lupo’s Heartbreak Hotel, Providence)

Este show em Providence é a maior prova de que a turnê que ressucitou o PIL é ainda mais “suja” que a “Filthy Lucre Tour” dos Sex Pistols. Pequena e pacata cidade norte-americana, Providence não participa do roteiro de nenhuma banda americana ou inglesa, embora seja o município mais populoso de Rhode Island. E o motivo para isso estava lá, estampado na cara de cada um dos 250 indivíduos que pagaram 55 dólares por esta apresentação, em desânimo inegociável… John Lydon entrou vociferando barbaridades do tipo “eu sei que estamos em Providence, não esperamos muito mesmo…”, e prosseguiu trocando não somente insultos com a platéia, mas também, honrando seu apelido pregresso, lançando  cusparadas, catarro que volta e meia assoava do nariz e goles de uísque, tudo devidamente cuspido para o alto… Uma suave mistura de ironia, tensão e cinismo percorre o ambiente, reforçada pela personalidade contraditória e repugnante de Lydon.

“(This is Not A) Love Song” abre o set, seguida de “Poptones”, que com sua levada carregada já provoca uma certa sonolência e evasão na platéia. Lydon grita: “aplaudam, não deixem esse trabalho mais chato, por favor!” A platéia até responde, mas, timidamente, parece se divertir… É bem verdade que a banda está tocando muito bem, a qualidade do som do Lupo’s é excelente e o repertório, impecável, para fãs se descabelarem… Mas o descabelamento não combina com o temperamento gélido dos providencianos, que acompanhavam a apresentação marcando com o pé ou sacudindo timidamente a cabeça. Um rapaz tenta um stage diving, mas é esculhambado por Lydon, que passa a persegui-lo até o fim. O show prossegue aos trancos e barrancos com “Flowers of Romance”, “Tie Me to the Length of That”, “Albatross” e termina com uma versão empolgante de “Religion”, com mais de dez minutos e um discurso multiculturalista de Lyndon: “Os EUA são um país de muitos países, uma cultura de muitas culturas…”.

Aplausos. Tímidos.

“Rise” é o momento pop, quando finalmente a platéia se manifesta e canta o refrão com a banda. Lyndon ironiza o rapaz do mosh: “por isso que você é um asshole e nós somos o PIL!” Não poderia haver final mais adequado para uma noite tão constrangedora. (Bernardo Oliveira)

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Publicado às 10 de maio de 2010 por em ao vivo e marcado , , , .
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