Camarilha dos Quatro

Revista de crítica musical.

Alberich – Psychology of Love (2011; Hospital Productions, EUA)

Kris Lapke, produtor por trás do Alberich, é um nome que poderia ser bem conhecido na cena noise se até este momento não estivesse restrito a posições de bastidores, vez que seu trabalho de produção e engenharia de som está em alguns dos mais significativos discos de artistas como Mindflayer, Kevin Drumm e Prurient. Psychology Of Love é seu álbum de estreia, tendo já sido lançadas uma coletânea e discos de pequena polegada e cassetes. (M.M.)

* # *

Os discos de barulho extremo parecem aos poucos ir criando um certo nicho quase comercial, quase aceitável. Não são todos que se assustam com o noise. E muito de todo esse barulho é brando, quase um girly noise. Alberich é a alcunha ruidosa de Kris Lapke que tem longa contribuição ao noise, mas apenas agora se arrisca em produções próprias. Sua sonoridade navega entre aquilo que se pode chamar de power electronics, um filhote macabro da música industrial com o noise. A grande peculiaridade aqui seria que o Alberich estaria bem distante do death metal de muitas bandas do gênero e mais próximo da sonoridade de parceiros como Kevin Drumm e Prurient, com uma noção de ritmo mais apurada.

Talvez Lapke ainda esteja distante do apuro sonoro e principalmente da assinatura dos músicos citados, mas a inegável força de um disco como Psychology Of Love e a capacidade de variação demonstrada na descomunal coletânea NATO-Uniformen, apresentam um artista em vias de assumir um lugar no panteão do ruído mais extremo.

Em alguns momentos de faixas como “Rumbala” e “Paneriai”, parece que ouvimos um techno em meio a um soterramento, uma zona de guerra onde aquela música perde o sentido da dança e apenas nos lembra que em meio ao pavor, o pulso garante a permanência… e essa sensação volta em diversos momentos do disco.

São sons feios e pouco “musicais”, que nem de perto tentam ombrear a beleza demolidora das grandes obras do noise ou que nos proporciona uma experiência tão visceral e impactante quanto discos como Sheer Hellish Miasma ou The History of AIDS, mas ainda assim é particular e vigoroso.

Se Cormac McCarthy resolver escrever uma fábula apocalíptica situada em Ibiza, ou em uma fábrica que continuou a funcionar sozinha após o desaparecimento de seus ocupantes, teríamos aqui a trilha sonora. (Marcus Martins)

Ouça “Thus, I Curse Love”, primeira faixa do álbum.

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Publicado às 7 de outubro de 2011 por em noise e marcado , , , , , .
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