Camarilha dos Quatro

Revista de crítica musical.

Andy Stott – We Stay Together (2011; Modern Love, Reino Unido)

Se o inferno organizasse uma rave, ela provavelmente soaria um pouco como We Stay Together. A maneira com que Andy Stott planta seus timbres sombrios e outros detritos, à modo que abra possibilidades tanto para um ambient sombrio mas ainda meditativo, como para um dance soterrado e sempre cinzento, parece revelar aos poucos um dos grandes artistas da atualidade. Com referências que parecem partir principalmente das linhas de grave do dubstep (impossível não pensar no minimalismo fúnebre de Shackleton), e outras tendências do techno e do house, Andy Stott vem nos presenteando com uma surpresa tenebrosa atrás da outra. Espécie de segunda peça de seu antecessor (o já camarilhado Passed Me By), We Stay Together continua na exploração de uma topografia cada vez mais subterrânea, consequentemente esculpindo uma qualidade sonora abafada, interiorizada e, sempre, das mais agressivas.

Ainda que o homem siga essa estética até certo ponto reconhecível, a versatilidade de ritmos que Stott parece tirar de timbres tão tétricos parecer ser o que, de fato, faz toda a diferença. “Posers”, faixa lançada em agosto como prévia do EP, já dava o tom. Iniciada com batuques desordenados que nos remetem a uma sonoridade africana (sonoridade essa já bastante presente em Passed Me By), a faixa logo envereda para o caminho da pista de dança (uma pista um tanto subversiva, obviamente), com direito até a um sample vocal fantasmagórico que nos assombra com seu devido mistério corrosivo. “We Stay Together (Part One)”, parte do nosso podcast #63, parece que vai ainda mais fundo nessa progressão incubadora-dançante. Cheia de texturas futuristas precárias, a faixa simula picos de um trance que nunca parece de fato existir, revelando uma melodia rebelde, contagiante e de difícil assimilação. Talvez venha daí a grande beleza desse trabalho, ao mesmo tempo em que Stott embala a pista de dança dos nosso sonhos, fica difícil entender como algo tão mórbido soa de fato extremamente sedutor, nada que chegue a ser exatamente convidativo mas, ainda assim, nos coloca em um estranho estado de paz. (Arthur Tuoto)

Ouça aqui “Posers”

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Publicado às 7 de outubro de 2011 por em EP da semana e marcado , , , .
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