Camarilha dos Quatro

Revista de crítica musical.

Goblin – “Profondo Rosso” (1975; Cinevox, Itália)

Com a retrospectiva completa dos filmes de Dario Argento no Festival do Rio, os cariocas estão tendo a oportunidade de assistir ao seus maravilhosos filmes (os quais não vem ao caso discutir aqui) e suas respectivas trilhas sonoras, muitas vezes assinadas pelo grupo italiano Goblin, capitaneado pelo compositor e tecladista Claudio Simonetti.

A música original de Profondo Rosso (Prelúdio para Matar na tradução brasileira) e o seu tema principal são, talvez, as mais bem sucedidas e representativas de todas as composições que o Goblin e Simonetti fizeram para os filmes de Argento. Primeiro porque captam com destreza a atmosfera destes, trazendo-nos à mente, com clareza, as cenas de assassinato; cruéis e exageradas, nas quais as vítimas sofrem mortes violentíssimas e agonizam até a última gota de sangue. E, segundo – mas principalmente – porque são as mais belas e marcantes (não à toa se mantém como a trilha de um filme de horror mais vendida de todos os tempos), tendo como trunfo essencial o riff de “Profondo Rosso”, que descreve nota por nota o prelúdio de um assassinato – sensação realçada com a aparição do baixo, que faz a segunda voz -, até a consumação deste, com os acordes espaçosos do órgão e as viradas de bateria à la King Crimson.  A música então se acalma, conotando o retorno do assassino, e depois volta a crescer, com o mesmo riff tocado abafadamente no violão.

O que chama a atenção para o sucesso deste riff é um mero detalhe na sua estrutura rítmica: há de se notar que ele tem uma quebra entre o primeiro e o segundo compasso. O primeiro é 4/4, enquanto o segundo é 3/4, mas no terceiro volta a ser 4/4 e, quando, esperamos que a mesma linha lógica se complete no quarto, este se apresenta novamente como um compasso quaternário, trazendo uma ideia de prolongamento e conclusão, tão apropriada às cenas de morte do filme.

Se muitos dos artistas contemporâneos emulam as trilhas de Simonetti dos anos 80, deveriam também tentar emular o cerebralismo, detalhismo e a beleza deste tema antológico. (Thiago Filardi)

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Publicado às 17 de outubro de 2011 por em Baú da Camarilha e marcado , , , , .
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