Camarilha dos Quatro

Revista de crítica musical.

Cut Hands – Cut Hands (2011; Susan Lawly, Reino Unido)

Cut Hands é um projeto do inglês William Bennett, principal cabeça do polêmico Whitehouse – um dos primeiros grupos de noise da história. Também intitulado de Afro Noise I e contendo três faixas já lançadas pelo Whitehouse, este álbum é o debut do Cut Hands. (TF)

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São poucos os artistas que conseguem trabalhar com signos de culturas tão diferentes a eles e, misturando-os ao seu próprio vocabulário, criar uma linguagem nova e – essencialmente – sua. Este é o caso de Béla Bartók, Terry Riley, La Monte Young, George Harrison, Acid Mothers Temple, entre muitos outros, que desfizeram as barreiras musicais e nos presentearam com obras universais. Este é também o caso de William Bennett, que, já alguns anos, vem trabalhando com elementos africanos e haitianos na música do Whitehouse. Mas o Cut Hands marca sua incursão e imersão completas em territórios percursivos que rementem, principalmente, às músicas do Congo, Guiné e Gana. E, para tal, Bennett cunhou o termo Afro Noise, pois, além de utilizar instrumentos essencialmente africanos, como o djembê e o dundun, ele os combina com texturas eletrônicas e frequências agudas.

Uma característica importante do Whitehouse – sempre rodeado de muita polêmica, pelas performances agressivas, referências sexuais e inserção de símbolos nazistas – é a entrega total que sua música pede ao ouvinte. Um dos objetivos de Bennett, ao criar o projeto, era chegar a uma sonoridade que tornasse o interlocutor totalmente submisso à música. E podemos dizer que com o Cut Hands não é diferente. Ao sermos assaltados pelo drone de “Welcome to the Feats of Trumpets” e, logo em seguida, pela bateria imponente e de lógica rítmica um tanto incomum para ouvidos ocidentalizados, temos duas opções: negar essa atmosfera misteriosa e com algo de fatalística, repleta de white noise e batidas estranhas; ou nos jogarmos de cabeça nesse universo desconhecido e fascinante. Se a segunda opção é a escolhida, você estará, então, diante de uma das audições mais selvagens, intensas, instigantes e recompensadoras do ano. (Thiago Filardi)

Ouça “Who No Know No Go Knows” e “Rain Washes Over Chaff”.

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Publicado às 19 de outubro de 2011 por em álbum da semana e marcado , , , , .
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