Camarilha dos Quatro

Revista de crítica musical.

Deadboy – Hearbreaker (Julio Bashmore Remix 2009) (2011; Well Rounded Housing Project, Reino Unido))

“Heartbreaker” é um dos lados B do primeiríssimo single de Deadboy, antes de ele atingir o merecido reconhecimento dentro da cena eletrônica britânica com “If U Want Me”, um dos maiores sopros de ar fresco na seara garage/dubstep dos últimos anos. “Heartbreaker” já antecipa a onírica linha de teclado e a deixa vocal R&B lacrimejante da faixa que viria depois, mas a produção, sobretudo a batida, é pronunciadamente arestada, com uma rispidez rítmica característica das programações do jungle dos primeiros anos. O que Julio Bashmore faz em sua versão “2009” (no single há um outro remix, também digníssimo de nota, uma versão “2010”, eliminando a batida 2-step e mantendo o metrônomo 4/4 característico do house) está na ordem de uma harmonização elegante da faixa original, retirando as sonoridades mais rascantes, adicionando sutis e deliciosos sons de bongô e, deixando apenas os mais básicos elementos de marcação da batida, aumentar a força do prato e do chocalho no contratempo. O que há de formidável em “If U Want Me” é a prodigiosa fusão do 2-step com um amor de R&B atravessado de Burial e dosado num BPM mais moderado do que o garage costumeiro. Ouvindo o remix “2009” de Julio Bashmore, a impressão é que ele nada mais fez do que “If U Want Me”-zar a música, aproveitando o que Deadboy fez de melhor em sua melhor produção e reinventar a música anterior segundo o estilo posteriormente alcançado pelo mesmo artista. O que não quer dizer que Bashmore não tenha méritos: a produção de ambos os remixes é incrivelmente bem cuidada, com timbres escolhidos a dedo e uma incrível sabedoria de andamento e pausas dramáticas. No remix em questão, o “2009”, em determinado momento a batida para e ouvimos só os motivos melódicos e o vocal feminino emitindo “Heartbreaker” em eco. Aí ouve-se toda uma tradição reproduzida em alto nível, passando por Massive Attack, por Burial e por Deadboy, mas sem reduzir-se à mera imitação. Todo grande gênio começa galgando os passos de alguém admirável. Esses remixes de “Heartbreaker”, o de 2009 especialmente, projetam um auspicioso futuro para a trajetória de Julio Bashmore. Acompanhemos. (Ruy Gardnier)

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Publicado às 29 de outubro de 2011 por em Faixa da Semana e marcado , , , , .
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