Camarilha dos Quatro

Revista de crítica musical.

Prurient – Time’s Arrow (2011; Hydra Head, EUA)

Poucos discos esse ano terão renovado o horizonte sonoro de seus criadores quanto Bermuda Drain do Prurient. Certo, trata-se de um disco mais instigante do que excelente, mais de uma boa surpresa do que de um trabalho lapidar. No esforço de reorientar-se para fora do noise abrasivo em que militou por uma década e meia (e ainda milita, faça-se a justiça) e incorporar a seu som o lado mais soturno e denso do synthwave, Fernow ampliou o escopo mas se embolou um tanto no exercício das novas influências, e Bermuda Drain peca ora por não criar sonoridades muito distintivas nos novos terrenos sonoros por que se aventura, ora por não encontrar um foco, sem muita capacidade de reunir todos os sons trabalhados numa síntese coerente. Ainda assim, mesmo longe da grandeza, essa virada de trajetória já garante um lugar bem digno de nota para o Prurient nesse ano de 2011. Aí surge discretamente um belo EP de acompanhamento ao álbum, que mantém o mesmo approach sincrético do disco cheio, mas com um senso de progressão quase pedegógico, esquemático mesmo, que dá um contorno especial ao que Dominick Fernow está fazendo com sua música. Em cinco faixas  que somam 23 minutos, vai-se degrau a degrau da pesada atmosfera de sintetizador da faixa título que abre o EP à profusão noise de “Slavery in the Bahamas” pela qual o Prurient é mais conhecido. Mas as abrasividades já sabemos que o Prurient faz bem. A grande surpresa é o forte poder atmosférico das melodias que sobrevoam “Time’s Arrow”, que mostram um Fernow muito mais à vontade diante do dark quase gótico que abraça. As frequências agudas agridem incisivamente em “Let’s Make a Slave (De-Shelled), sabiamente integradas aos outros elementos mais convencionais da faixa (voz, batida), ao passo que “Maskless Face” nos faz reencontrar o velho Fernow gritador em meio a power electronics igualmente veementes. Time’s Arrow contém o bom do velho Prurient e o melhor do novo Prurient, mas a força maior é que aqui as duas facetas se unem de uma forma muito mais intrigante e engenhosa do que no álbum propriamante dito. Há capelas mais bonitas que catedrais. (Ruy Gardnier)

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Publicado às 18 de novembro de 2011 por em EP da semana e marcado , , , , , , , .
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