Camarilha dos Quatro

Revista de crítica musical.

James McDougall – Inskip (2011; Impulsive Habitat, Portugal [Austrália])

James McDougall é um artista sonoro australiano, mais conhecido por seu trabalho no campo do field recording e do ambient. Já lançou diversos CDr’s, álbuns e faixas através de pequenos selos como Mystery Sea, Q-tone, SRA, Ripples e Playmytape. Inskip, álbum liberado sob uma licença Creative Commons, é seu segundo trabalho lançado pelo selo virtual Impulsive Habitat. (AT)

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Impulsive Habitat é um selo virtual dedicado ao field recoring, além de outras particularidades sonoras que fogem de uma classificação restrita. Obras que, em sua maioria, ficam em um fronteira particular entre matéria sonora bruta, cotidiana, crua, e massas musicais subversivas, intuitivas, que parecem não definir um limite à si próprias. James McDougall, no caso, é um artista que mescla muito bem a casualidade da captação sonora (chuva, estrada, noite, fogo trepidando, etc.) com as possibilidades da música experimental, ou, em um sentido mais amplo, com a própria concepção da música em si.

Dividida em espécies de blocos sensoriais, a faixa única que consiste em Inskip é quase uma viagem arbitrária, onde o artista nos leva a experimentar uma infinidade de manifestações auditivas das mais variadas. Diferente de trabalhos mais cerebrais da sound art que estamos acostumados a ver no cenário musical (do selo Raster-Noton, por exemplo), que se encaixam relativamente bem no panorama da música eletrônica, McDougall parte de uma investigação de fato mais impressionista, paisagística, uma radiografia sonora de detalhes quase moleculares. Tal profusão de texturas tão peculiares cria a noção de uma outra realidade, a minúcia microscópica dos sons aqui captados amplifica nossos sentidos ao ponto do mundo real, como o conhecenhos (e principalmente ouvimos) soar completamente novo.

Talvez o fato desse tipo de trabalho não ter um apelo musical tão direto, se justificando até através de uma vertente mais conceitual (e que, invariavelmente, encontra seu reconhecimento em exposições, feiras especializadas e outros eventos relacionados às artes plásticas) faz com que obras como essa não sejam, exatamente, apreciadas no mundo musical. O que não faz exatamente tanto sentido, alguns blocos de Inskip são de uma qualidade musical quase escultural, graves poderosos de uma incrível força tátil, timbres aquáticos que remetem a uma frequência sonora de um Eleh, além de outros detalhes quase abstratos, alguns industriais, que sugerem uma pequena faísca de senso rítmico na experiência caótica que é, hoje, ouvir o mundo à nossa volta. (Arthur Tuoto)

Ouça ou baixe “Inskip” aqui, no site do selo Impulsive Habitat.

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Publicado às 22 de novembro de 2011 por em álbum da semana e marcado , , , , .
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