Camarilha dos Quatro

Revista de crítica musical.

Pete Swanson – Man With Potential (2011; Type, EUA)

Pete Swanson é um músico americano experimental que mora em Portland, Oregon. É mais conhecido por ter sido 50% do duo Yellow Swans, formado em 2001 e terminado no final de 2008. A carreira solo de Swanson foi relativamente modesta durante a existência dos Yellow Swans, com apenas alguns CD-Rs e cassetes split. Porém desde o final do duo, Swanson tem lançados vários trabalhos em um relativo curto espaço de tempo, como Feelings in America (2010), I Don’t Rock At All (2011), além de diversos cassetes em edição limitada. Man With Potential é seu mais recente disco, lançado pela Type Records, mesma gravadora responsável por Going Places, último álbum do Yellow Swans. (RG, AT)

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A comovente fronteira entre uma sonoridade ruidosa e emotiva, em que a melodia adquire caráter subversivo ainda que reconhecível, é terreno para artistas tão distintos quanto similares: Christian Fennesz, Animal Collective, Aphex Twin e por aí vai, cada um ao seu modo particular, sem falar em exemplos mais recentes como Andy Stott e Patten. Pete Swanson, a cada novo lançamento, parace cravar seu nome com cada vez mais vontade nesse time. Em Going Places, último lançamento de Swanson enquanto duo Yellow Swans, as faixas já denunciavam um movimento de força bastante característico, um poder narrativo que através de crescentes poderosos e demais evoluções sensoriais, não nos deixavam de seduzir também por seu caráter quase melódico, que nos carregavam junto para onde for. Em agosto de 2011, Swanson lançou I Don’t Rock At All, um amontoado de riffs de guitarra e outros experimentos de sobreposição que alertam para esse mesmo caminho barulho x melodia, e recentemente no fim do ano, Man With Potential. Nesse último, Swanson se apropria do que parecem ser resíduos de um techno todo podre em suas particularidades ruidosas para, outras vez, jogar com esse mesmo poder narrativo, melódico e, em certa instância, até dançante.

“Misery Beat” já começa com aquele arzinho de rave sombria, timbres futuristas se debatendo, linha de baixo em um padrão todo peculiar, e lá pelo terceiro minuto, a batida de cabeça, pra frente e pra trás, é inevitável. Oscilações ruidosas já tomam conta de tudo e a nossa entrega é iminente, uma das pancadas mais energéticas que o nosso ano de 2011 viu passar. “A&Ox0” é outro dance corrompido, com uma percussão tímida, no fundo, que não deixa as distorções e outras frequências pontuais atrapalharem seu ritmo de pista crepitante, pelo contrário, é incrível como Swanson alia toda um arsenal do noise, de instabilidades sonoras das mais variadas e outras distorções graves não tão dançantes em faixas sedutoras como essa. A sujeira ruidosa totalizante, aliada a progressões crescentes que já eram comuns ao artista, com novos padrões de batida e outras vulnerabilidades melódicas tão bem-vindas, resulta em um disco dançante poderoso e altamente inspirador em suas possibilidades rítmicas. Uma feliz opção tanto no sentido de levar gêneros a certos extremos e mesclas inusitadas e ainda vigorosas (a noise music sempre precisa disso), como também em um novo caminho para a carreira solo de Swanson, que pelo jeito promete. (Arthur Tuoto)

“Misery Beat” fez parte do Camarilha Podcast #68
Ouça aqui “A&Ox0”

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É impressionante a semelhança de propostas entre este Man With Potential de Pete Swanson e LP, do Container, dois discos lançados mais ou menos ao mesmo tempo. Coincidentemente, Ren Schofield, o homem por trás do Container, também tem um passado noise com seu pseudônimo God Willing, ao passo que Swanson formava com Gabriel Mindel Saloman o duo noise Yellow Swans. São portanto dois projetos de artistas fincados no noise que aqui utilizam os pulsos repetitivos do techno e constroem idiossincraticamente uma improvável (e por isso mesmo fascinante) rave de ruído. Se o Container mexe mais com o ritmo e flerta de modo mais intenso com a eletrônica de pista, Swanson utiliza o pulso eletrônico para criar uma sinfonia progressiva em que as camadas vão se acrescendo e a sonoridade vai ficando aos poucos mais densa, espessa, como aliás as texturas que fizeram a glória dos Yellow Swans. Com a diferença, claro, que aqui a batida torna o andamento claramente demarcado, circunscrevendo as camadas enevoadas e os timbres estridentes a um ritmo preciso. A proposta, no entanto, não domestica o som de Swanson (e poderia…). Faz relembrar, ao contrário, que os Yellow Swans eram bem mais polivalentes do que os artistas de noise free form que preferem a intensidade da performance (mais ou menos homogênea, e consequentemente mais previsível) à estratégia composicional, ao conceito e e à experimentação de novos caminhos. O homem continua em alta forma. (Ruy Gardnier)

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Publicado às 2 de janeiro de 2012 por em álbum da semana e marcado , , , , .
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