Camarilha dos Quatro

Revista de crítica musical.

Lana Del Rey – “Video Games (Joy Orbison Remix)” (2011; s/g, Reino Unido)

Às vezes só tomamos proporção da magnitude de uma canção quando nos sujeitamos a uma reavaliação ensejada pelo aval de uma pessoa cuja opinião respeitamos ou de um artista que admiramos. É aquela velha história do tal disco que ouvimos mal e porcamente e ao qual fizemos uma condenação precipitada, porém, ao saber da opinião relevante de um amigo, damos uma nova chance ao material e, julgando-o sob um novo prisma, terminamos por apreciá-lo. Ou, simplesmente, o fato de assistir a uma entrevista com Tom Zé na TV e constatar, graças à sua conclusão brilhante, que “Atoladinha” é, de fato, uma composição interessante. Muitos outros aspectos sociais, políticos, sentimentais e contextuais podem influenciar nosso gosto, causando uma discussão polêmica, complexa e infindável, que não vem ao caso discutir nesse texto. Mas todo o preâmbulo é somente para dizer o quão encantado fiquei com o remix de Joy Orbison para “Video Games”, da cantora, e, agora, também modelo, Lana Del Rey – cuja voz não tem nenhum grande atrativo, a não ser uma certa sensualidade afligida que remete a Cat Power.

À luz da primeira audição, reprovei “Video Games” com veemência, mas, ao me deparar com uma versão de Joy Orbison (ou Joy O, afinal?), um dos meus produtores favoritos da cena eletrônica inglesa atual – e autor de “Hyph Mngo”, um dos hinos da década passada –, fui obrigado a reconsiderar minha opinião sobre a canção-coqueluche de 2011. A questão, entretanto, não é apenas sentimental: Orbison consegue trazer toda a dimensão textural, climática e harmônica que a música necessitava. Se, em sua versão original, não passa de uma baladinha indie bonitinha e um tanto lânguida, o novo tratamento dado pelo produtor britânico a transforma em um house tão introspectivo e comovente, como propício para pistas de dança. O remix de Orbison é um trabalho de carpintaria: cada detalhe, cada timbre escolhido, a progressão da música e das batidas, a inserção da voz, ou seu loop manipulado ao final, e, especialmente, o sintetizador intermitente que surge concomitantemente com a voz de Lana, emitindo os exatos acordes que pede a melodia, e, depois, se transforma, num riff contínuo que acompanha o batidão, e reaparece somente nos últimos instantes da música.

A transição de 2011 para 2012 não teria sido tão bonita se não tivesse surgido, no finalzinho de dezembro, o remix artesanal de Orbison para aferir a “Video Games” o estatuto de composição minimamente interessante. (Thiago Filardi)

Ouça aqui o remix de Joy Orbison para “Video Games”.

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Um comentário em “Lana Del Rey – “Video Games (Joy Orbison Remix)” (2011; s/g, Reino Unido)

  1. quemprocuraachasim
    26 de janeiro de 2012

    adoro ela!

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Publicado às 5 de janeiro de 2012 por em Faixa da Semana e marcado , , , , .
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