Camarilha dos Quatro

Revista de crítica musical.

Ekoplekz – Westerleigh Works (2011; Perc Trax, Reino Unido)

Memowrekz, um dos mais impactantes discos de 2011, já deixou comprovado o talento de Nick Edwards em conceber melodias peculiares através de timbres ásperos, distorções, chiados e todo tipo de detrito analógico que, segundo uma lei natural do seu trabalho, quanto mais cru melhor. É como se no universo de Edwards, quanto menor for a possibilidade de uma associações a tal timbre, mais pura a matéria-prima se revela; Westerleigh Works não deixa de ser diferente. Com uma pegada que flerta com a pista de dança, o noise ambient de procedência industrial old-school que o Ekoplekz nos apresentou anda ganhando formas ainda mais grandiosas e um dinamismo todo particular. Alguns diriam que é seu trabalho mais fácil, acessível, e de fato, se comparado com trabalhos anteriores, o presente EP tem toda uma carga rítmica um pouco mais reconhecível, mas quem pensa que Edwards andou amansando ou domesticando seu trabalho, logo se engana.

Se as batidas iniciais de “Ekoplatz” denunciam um andamento vibrante, ainda que soterrado e com as assombrações analógicas de praxe, a agressividade de suas pinceladas que flertam com o bass mais violento nunca deixam a faixa se tornar assim tão previsível, além de se manter em forte vigor por todo seu andamento. “Ekoplatz” ainda conta com um remix de ninguém menos que Richard H. Kirk, do lendário Cabaret Voltaire, confirmando nossas expectativas em relação as influências industriais mais primitivas de Edwards. “Narco Samba”, de nome mais que sugestivo, tem uma variação de frequências ressonantes das mais esculturais, aliada a outros sonzinhos e chiados característicos, toda a evolução instável da faixa cativa qualquer um sedento por ritmos grudentos e precariedades quase dançantes. “Xylem Teardrops” fecha o disco de forma sombria, com uma base percussiva relativamente veloz ao fundo, a faixa vai lentamente sendo contagiada por synths melancólicos, graves possantes e arrastados, culminando em uma espécie de ruído industrial de poder atmosférico aterrador.

O mais inspirador na sonoridade de Ekoplekz é como o projeto vem explorando essa sensibilidade dita primitiva, mas ainda assim mantendo-se no hall da contemporaneidade e, o mais importante, apresentando uma sonoridade inédita. Em tempos de evoluções digitais tão rápidas, além do uso em demasia de diversos softwares e outros dispositivos tecnológicos, é curioso pensar em todo um mundo de possibilidades perceptíveis que vai ficando para trás, a forma com que Nick Edwards anda explorando um desses universos é no mínimo inspiradora. Um arsenal ecônomico e quase precário, mas que com seu devido e peculiar uso encontra uma estética remota sempre pulsante e de beleza sem igual. (Arthur Tuoto)

“Ekoplatz” fez parte do Camarilha Podcast #69
Ouça aqui “Narco Samba”

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Publicado às 13 de janeiro de 2012 por em EP da semana e marcado , , , .
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