Camarilha dos Quatro

Revista de crítica musical.

Tenniscoats – All Aboard! (2012; Chapter Music, Austrália [Japão])

Tenniscoats é um duo japonês formado por Saya e Takashi Ueno. A dupla, que frequentemente conta com a participação de outros músicos na concepção de seus trabalhos, já lançou mais de dez discos desde 2000 e ganhou uma relativa notoriedade com Two Sunsets (2009), álbum em parceria com o grupo The Pastels, lançado pela Domino Records. Apesar de ser tachado como folk psicodélico, é difícil definir a sonoridade do Tenniscoats, que geralmente faz um som calmo mas vibrante, utilizando-se de poucos instrumentos. Em All Aboard! (2012) o duo contou a com a participação do percussionista japonês Ikuro Takahashi. (AT)

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O Tenniscoats é uma daquelas bandas que vivem em uma dimensão própria. Sem exatamente lidar com qualquer sonoridade em voga, ainda que se apropriando de vários elementos de um certo folk indie bizarrinho (de Belle & Sebastian a CocoRosie, sem nunca exatamente soar como nenhum deles) o duo formado por Saya e Takashi Ueno vem construindo uma carreira prolífica (já são praticamente 12 álbuns desde 2000) e de uma estética naif sempre recorrente: a voz doce e reconfortante de Saya sobre as melodias pontuais de uma harmonia bastante contagiante. Talvez o que diferencie um trabalho do outro seja justamente seus convidados. No caso de All Aboard! o duo contou com o percussionista Ikuro Takahashi, um veterano que já trabalhou com Keije Hano e vários grupos da cena alternativa de Tokyo. Sendo assim, All Aboard! ganha uma certa aura rock, ainda que mantendo a calma e o tonzinho manso de suas faixas.

“Shinjitsu Pan” e “Mosha Mosha” talvez sejam, de fato, as faixas mais rockeiras do álbum, até pela som claro das guitarras em paralelo ao vocal suave de Saya, que parece ser o que direciona toda a progressão das músicas. “Mosha Mosha” tem direito até a um refrãozinho grudento e uma atitude quase ríspido, mas sempre agradável. Já faixas como “Korogair Mario” e “Yume Wa Sukkiri” mantêm a qualidade onírica tão comum do grupo, com seu tom arrastado e viajado, sua sonoridade quase infantilizada e sempre lúdica. “Yume Wa Sukkiri” talvez seja um dos grandes momentos do disco: com quase dez minutos de duração, a faixa faz de simples acordes uma jornada de imagens sublimes e cativantes. Isso tudo com um vocal cantado em japonês, ou seja, mesmo não se fazendo entender literalmente, o duo aposta na universalidade de certos timbres, na progressão lenta mas certeira de suas composições, um equilíbrio intuitivo sempre funcional. “20arms”, a faixa que fecha All Aboard!, além de ter uma parte em inglês, soa quase como uma sessão nostálgica de karaokê, com o que parece ser o vocal desafinado de Takashi sobre uma base arrastada e aquele som brega que lembra o piano de uma churrascaria. Logo o vocal de Saya reaparece e tudo volta a ser um sonho colorido, ainda que mantendo seu caráter naif e infantil, à maneira da imagem que ilustra o álbum. All Aboard!, aliás, é bem como essa pintura que o ilustra, inofensivo mas ainda assim cheio de riqueza em sua mistura sempre imaginativa de cores e sensações. (Arthur Tuoto)

Ouça “Mosha Mosha” e “Yume Wa Sukkiri“.

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Publicado às 2 de setembro de 2012 por em álbum da semana e marcado , , , .
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